A pandemia da COVID-19 claramente abalou as estruturas de grande partes das empresas no cenário mundial e, no Brasil, um dos países mais afetados pelo vírus, esse cenário não foi diferente.

O ano de 2020 se iniciou de forma promissora, com uma possível recuperação do país, o que contribui para que as empresas se desenvolvam. Porém, em meados de março, o vírus chegou e trouxe com ele bastante incerteza, complexidade e, principalmente, mudanças para as empresas.

Do dia para noite, as companhias viram suas lojas fechadas, os clientes foram obrigados a ficarem em casa e o caos se instalou. Diante desse cenário, tudo mudou, começando pelos hábitos de consumo. De uma hora para outra, os consumidores migraram para o digital.  

Por esse motivo, a COVID-19 acelerou tendências fundamentais que já estavam influenciando o setor: a evolução do modelo de negócios, o valor do propósito, o foco implacável na redução de custos e o aumento do poder do consumidor.

Essa aceleração das tendências serviu para quebrar algumas barreiras existentes, tanto por parte dos consumidores, que não tinham costume de comprar no digital, quanto para as empresas, que acreditavam não ser necessário investir no digital no momento, pois a migração aconteceria, de fato, nos próximos 4 ou 5 anos.

Portanto, muitos especialistas acreditam que diversas mudanças de hábitos vieram para ficar, uma vez que essas barreiras foram quebradas. Abaixo estão listados 4 exemplos de hábitos de consumo que se manterão em 2021 e nos anos seguintes.  

1. Migração para o E-commerce 

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Diante do cenário caótico causado pelo vírus, diversos varejistas fecharam as portas da noite para o dia. Com isso, muitas dessas empresas acabaram perdendo até 100% de seus faturamentos, afetando principalmente aquelas que não vendiam através dos canais digitais. 

Para buscar resolver essa situação, as empresas trabalharam incansávelmente para implantar, ou aprimorar, canais digitais, na tentativa de recuperar parte do faturamento e fazer com que a empresa não tivesse que demitir em massa ou, até mesmo, fechar as portas. 

A situação era favorável para o cenário digital. Muitas pessoas se viram na obrigação de dar seus primeiros passos nas compras online, devido às restrições impostas pelo governo federal. Inclusive, muitas pessoas quebraram a barreira do “medo” de compras no e-commerce e realizaram sua primeira compra nesse período.

A soma desses dois fatos resultaram numa aceleração bastante significativa para o digital. De acordo com dados da 42ª edição do Webshoppers, estudo sobre e-commerce do País elaborado semestralmente pela Ebit|Nielsen, as vendas online cresceram 47% no primeiro semestre, sua maior alta em 20 anos.

Mas, é importante lembrar que o ano foi atípico, e é bastante improvável que esse crescimento se repita nos próximos anos. Porém, muitas pessoas tiveram boas experiências no digital, e pretendem continuar comprando através desse meio. 

De acordo com estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), 70% dos brasileiros pretendem continuar comprando online após a quarentena. Isso se deve a uma satisfação de 78% nas experiências neste período.

Diante disso, é possível afirmar que o digital é uma tendência que foi acelerada pelo coronavírus, mas que ainda permanece extremamente relevante nos próximos anos. As empresas que oferecerem uma boa experiência aos consumidores através desse meio, terão grandes chances de sucesso.

2. Consumidor Multicanal

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À medida que as restrições do governo federal foram se flexibilizando, uma fatia considerável da população brasileira voltou a fazer compras em lojas físicas. Porém, esses mesmos consumidores não abandonaram os meios digitais, e sim passaram a usar os dois canais simultaneamente, conhecido como omnichannel.

O omnichannel, estratégia que consiste na integração de canais físicos e digitais, já era uma tendência em expansão no setor varejista. Entretanto, com a pandemia do novo coronavírus propagada no mundo, o consumidor adotou um comportamento digital mais efetivo em decorrência do isolamento social para evitar o contato e contágio do vírus.

Nessa fase de reabertura dos estabelecimentos, as pessoas, na tentativa de ter o mínimo de contato com outros indivíduos, passaram a fazer os pedidos online, fazendo apenas a retirada dos produtos nos pontos físicos.

Um caso interessante que pode ser citado como exemplo nesse sentido é a ação da rede de supermercados Dalben, localizada em Campinas. Em resposta à nova tendência, a empresa implementou um sistema de drive thru, onde os clientes fazem as compras através do aplicativo e retiram os produtos de carro, no estacionamento do supermercado. 

Com experiências positivas, o varejo omnichannel que, como citado acima, já era uma tendência antes da pandemia, se concretizou como uma realidade, e a tendência é que venha a crescer nos próximos anos.

3. Consumo Consciente 

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Quando a pandemia se instalou, o primeiro movimento a ser notado foi a corrida das pessoas por itens básicos nos supermercados, pois muitos acreditavam que os produtos essenciais poderiam sumir das prateleiras em questão de dias. Porém, isso não aconteceu, graças ao trabalho conjunto da indústria e varejo.

A medida que o tempo e o susto foram passando, o isolamento social fez com que as pessoas começassem repensar seus costumes, criando uma consciência de compra baseada naquilo que é necessário, um hábito que se perdeu ao longo do tempo em função de ações promocionais promovidas pelas marcas, que enriqueceram com o consumismo.

As incertezas sobre o futuro, a redução da renda de muitas famílias e a preocupação maior com questões ligadas à saúde também auxiliaram nesse processo de gerar um novo padrão de consumo, mais consciente e responsável. 

Bens essenciais entram na lista de prioridades, mas essa noção do que é essencial varia de cliente para cliente. A decisão de consumo leva ainda em consideração outros fatores, como a flexibilização na compra, rapidez na entrega e  procedência dos produtos.

Por esse motivo, as empresas do varejo precisam ter cada vez mais atenção à forma de comunicar os seus valores, fazendo isso de maneira clara. E, ainda, conhecendo o que é valor e o que é fator de decisão para cada perfil de cliente, é de suma importância gerar a experiência individual de consumo responsável e consciente nas vendas.

4. Sensibilidade aos Preços

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Um novo olhar sobre a economia tem impactado a percepção de compras dos brasileiros, pois há uma grande incerteza sobre os efeitos a longo prazo da pandemia. Com o fim do auxílio emergencial, que impulsionou o consumo no ano passado, essa incerteza se torna ainda maior.  

De acordo com economista da IBEVAR, a crise sanitária e econômica desestabilizou o país e a confiança do consumidor, que, justamente por esta incerteza, prefere restringir o orçamento mensal apenas a itens essenciais, como alimentos e medicamentos.

Segundo o mesmo economista, essa cautela nos gastos deve permanecer como um comportamento pós-pandemia, pois o brasileiro percebeu que pode adiar gastos, optar por marcas mais baratas ou avaliar o que pode cortar do orçamento de forma permanente, por exemplo. 

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