De acordo com dados do ano de 2018 do IBGE, 98,3% dos domicílios do país têm geladeira e 96,4% das residências têm ao menos uma televisão. Ou seja, os dados comprovam que a categoria está presente em praticamente todos os lares do Brasil.

Além de ter demanda recorrente e volumosa entre consumidores, o setor de Eletrodomésticos também movimenta muito dinheiro no país. A produção dessa indústria cresceu 15,6% entre janeiro de 2020 e de 2021, segundo a Abinee, e a previsão da Statista é que a receita do setor tenha uma alta anual de 2,91% até 2025.

Diante disso, é visível que o setor de eletrodomésticos é muito importante para o varejo brasileiro. O objetivo deste conteúdo é apresentar as 5 maiores empresas desse segmento e contar a história de cada uma delas. 

1. Via

A Via Varejo nasceu no ano de 2010, em São Paulo, a partir da aquisição das Casas Bahia, que pertence à família Klein, pelo Grupo Pão de Açúcar, que, na época, transferiu sua varejista para a Globex Utilidades S.A. Logo após, a empresa Ponto Frio, que pertencia a Globex Utilidades S.A. também foi comprada pelo Grupo Pão de Açúcar. 

Em 2010, foi criada a subsidiária Nova Pontocom, direcionada ao varejo online, a empresa surgiu mediante a associação do comércio eletrônico das Casas Bahia, Ponto Frio e Extra. Além disso, a Nova Pontocom detinha 18% de participação no varejo online da época.

No ano de 2012, a Globex Utilidades foi renomeada e começou a se chamar Via Varejo.Em 2013, foi comunicado o interesse da família Klein em vender 16%, equivalente a R$ 2 bilhões, de sua parte na participação da empresa, através de um IPO. Assim, ainda em 2013, 553,7 milhões de ações ordinárias que detinham a participação da família Klein, entraram em negociação.

Dessa maneira, a Via Varejo conseguiu R$ 2,845 bilhões mediante a oferta pública de ações. Três quartos do valor foi direcionado para a família Klein, ou seja, o restante foi transferido para o Grupo Pão de Açúcar.

Portanto, a propriedade da empresa foi alterada para o Grupo Pão de Açúcar com 43,3%, sendo os acionistas minoritários com 29,3% e a família Klein com 27,3%.

Ainda em 2013, a Via Varejo anunciou a compra de 75% da parcela que restava da Bartira, empresa fundada em 1962 e fornecedora exclusiva de móveis para a Ponto Frio e Casas Bahia.

No ano de 2014, foi criada uma empresa multinacional de comércio eletrônico, nomeada de Cnova, fundada a partir de um empreendimento conjunto entre Casino, Grupo Pão de Açúcar, Via Varejo e Grupo Éxito.

Além disso, em 2016, a Via Varejo adquiriu a administração das operações da Cnova Brasil, tornando-se proprietária das lojas: Extra, Casas Bahia e Ponto Frio. Após isso, especificamente, em 2017, a Via Varejo detinha 966 lojas pelo Brasil, diversificadas entre Casas Bahia e Ponto Frio.

No ano de 2019, o Grupo Pão de Açúcar decidiu vender suas ações na Via Varejo. O GPA possuía 36% de participação na companhia e efetuou as negociações através de um leilão na B3.

Assim, o empresário Michael Klein realizou a compra das ações da Via Varejo que pertenciam ao Grupo Pão de Açúcar, tornando-se o maior acionista da empresa. Logo após, Michael foi nomeado Presidente do Conselho de Administração.

Nos dias de hoje, a Casas Bahia possui mais de 700 lojas, e está presente em mais de 20 estados, além do DF e foi avaliada em R$ 800 milhões e reconhecida como uma das marcas mais valiosas do Brasil em ranking divulgado pela consultoria Interbrand.

A PontoFrio recentemente foi rebatizada como Ponto, e apresenta para o consumidor novas possibilidades por meio de grande variedade de produtos e serviços. Atualmente, com mais de 250 lojas nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o Ponto é um dos varejistas líderes de mercado.

Hoje, a Bartira, conhecida como a maior Fábrica de Móveis do Brasil e da América Latina, com 1,5 mil colaboradores, produz cerca de 750 produtos por hora e representa 35% da venda de móveis da Via Varejo. 

O Extra.com.br, com mais de 16 anos no mercado nacional, também é administrada pela Via Varejo, e comercializa um amplo número de produtos, como: Automotivo, fraldas, móveis, utilidades domésticas, etc.

Recentemente, a Via Varejo se tornou Via, representando o processo de transformação da empresa e abrindo os horizontes para além do varejo. 

No ano de 2020, a Via faturou R$ 29,8 bilhões, representando uma pequena queda em relação ao ano anterior, onde havia faturado R$ 30,5 bilhões. Porém, mesmo com a retração de receita, a empresa ainda está no topo da lista de maiores varejistas de eletrodomésticos do Brasil.

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2. Magazine Luiza

A Magazine Luiza foi fundada no ano 1957 em Franca, interior de São Paulo, quando o casal Sr. Pelegrino José Donato e Dona Luiza Trajano Donato, adquiriram uma pequena loja de presentes.  

Quando o casal comprou a loja, ela se chamava “A Cristaleira”, e foi rebatizada de Magazine Luiza com o envolvimento da população da cidade, que participou de um concurso que Dona Luiza lançou para escolha de um novo nome na rádio local.

A loja se notabilizou pelo atendimento gerido pelos próprios donos, especialmente dona Luiza, que também supervisionava a expedição e fazia pesquisa de mercado. Desde o início de sua história, o Magazine Luiza sempre teve o cliente como o centro do negócio.

Durante as décadas seguintes, a companhia viveu uma grande expansão de seus negócios para outras cidades do interior de São Paulo. Esse período foi marcado também pelo ingresso de outros familiares no negócio, tornando possível esse crescimento.

Aos 12 anos, Luiza Helena Trajano, sobrinha da fundadora Luiza Trajano, já havia tido a experiência de trabalhar na companhia durante suas férias escolares. Mas foi aos 18 anos que ela ingressou efetivamente na empresa, passando por todos os departamentos até assumir a superintendência da companhia, em 1991.

Em 1993, Luiza Helena Trajano criou a primeira Liquidação Fantástica, uma das estratégias de marketing e vendas mais copiadas do varejo brasileiro. No início de janeiro a rede vende produtos de mostruário e também seus estoques de ano novo em um único dia, com descontos reais de até 70%. A campanha mobilizou grande número de consumidores e houve formação de extensas filas em frente às lojas.

Em 2008, ano em que completou 50 anos de fundação, a companhia entrou no mercado de São Paulo inaugurando 44 lojas simultaneamente. Devido a esse crescimento acelerado, em abril de 2009, Luiza Helena Trajano sentiu a necessidade de profissionalizar a gestão e convidou o executivo Marcelo Silva a ajudá-la na administração da companhia. 

Silva, que permaneceu no cargo por oito anos, tinha um longo currículo em empresas familiares, e preparou a empresa para que Frederico Trajano, filho de Luiza Trajano e executivo da companhia, assumisse a presidência em janeiro de 2016. Luiza Helena Trajano foi então alçada à presidência do conselho de administração da empresa e Marcelo Silva à vice-presidência.

Hoje, o Magazine Luiza é o grande destaque em transformação digital no varejo. A empresa é uma referência nesse sentido e vem obtendo excelentes resultados no mercado digital, o que eleva seu faturamento de forma rápida. Além disso, a empresa se destaca pelo grande volume de fusões e aquisições

No ano de 2020, a empresa faturou R$ 24,4 bilhões, reportando crescimento significativo em relação ao ano anterior, quando a empresa faturou R$ 18,9 bilhões. A empresa se manteve na segunda colocação do Ranking. 

3. Lojas Cem

A história das Lojas Cem começou em 1952, na cidade de Salto, interior de São Paulo. O fundador, Remígio Dalla Vecchia, decidiu montar um negócio de conserto e venda de bicicletas, peças e acessórios. Seu Gino, como era conhecido, abriu a Casa de Bicicletas Zani e Dalla Vecchia com a ajuda da esposa, Nair Zani Dalla Vecchia.

Em 1959, com o trabalho e a determinação dos filhos e do genro do fundador, os rumos da empresa começaram a mudar. A seção de peças e consertos cedeu espaço aos primeiros eletrodomésticos. Sete anos mais tarde, em 1966, a loja transferiu-se para seu primeiro prédio próprio, introduzindo também a comercialização de móveis.

Seu Gino aposentou-se em 1968. A partir de então, a empresa, cujo nome já havia mudado para R. Dalla Vecchia S/A, passou a ser dirigida por um conselho de diretores.

O objetivo traçado era ir muito além das quatro lojas existentes na época. Para isso, era preciso um nome curto, impessoal, fácil de falar e de memorizar. A sigla CEM (Centro dos Eletrodomésticos e Móveis) foi escolhida em 1976 por meio de um grande concurso que movimentou a região.

A partir daí, as Lojas Cem não pararam de crescer. Dezenas de filiais foram e continuam sendo construídas e inauguradas com absoluto sucesso, gerando empregos, aumentando a arrecadação de impostos e fortalecendo o comércio local.

No ano de 2020, as Lojas Cem faturaram R$ 5,8 bilhões de acordo com o Ranking Ibevar, assumindo o terceiro lugar, substituindo a Máquina de Vendas que, em 2019, ocupava esta posição. Em 2019, a empresa faturou R$ 5,3 bilhões.

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4. Móveis Gazin

A história da Gazin começou em 1966, em Douradina, no interior do Paraná, fundada por Mário Gazin, que, na época com 16 anos de idade, trabalhava em uma das muitas lojas que sofriam com a crise financeira que assolava o país. 

Ao saber da intenção do proprietário em vender o estabelecimento, Mário imediatamente reconheceu uma excelente oportunidade de negócio. Sua visão de futuro foi compartilhada com seu pai Alfredo Gazin, que, sem perder tempo, entregou o jipe da família e parte da chácara onde moravam em troca da loja. 

No início, apenas Mário e seu pai Alfredo trabalhavam na loja. Mas, em seis meses, toda a família já estava ajudando neste novo conceito de negócios. A Gazin vendia de tudo, desde alimentos a granel até móveis.

No ano de 1998 , a Gazin inaugurou sua primeira fábrica de colchões na cidade de Douradina no Paraná. No ano 2000 , a cidade de Rio Branco foi a primeira do estado do Acre a receber uma filial Gazin. 

Ainda em 2000, a empresa inaugurou o Atacado Gazin, visando atender lojistas de pequeno e médio porte em todo o território nacional. Hoje, o Atacado já é o maior do Brasil e um dos maiores da América Latina. 

Desde os anos 2000, a Gazin vem ganhando capilaridade, expandindo suas operações por outros estados do país, como Tocantins e Goiás, por exemplo. 

Em 2020 a Gazin entra forte no mercado online com o e-commerce e aplicativo de compras. No mesmo ano a companhia faturou R$ 4,6 bilhões, e passou a ocupar a quarta colocação do Ranking. No ano anterior a companhia ocupava o sexto lugar da lista, e neste ano a empresa faturou R$ 4,3 bilhões.

5. Fast Shop

A rede Fast Shop começou a operar em 1986 como uma concessionária autorizada Yamaha que vendia motocicletas, motores de popa, jetski, peças e prestava assistência técnica para esses produtos, na zona norte de São Paulo. 

Alguns anos mais tarde, em 1991, a empresa tomou novas diretrizes e deu início à operação de logística de entrega de eletrodomésticos aos contemplados das grandes administradoras de consórcio. 

Rapidez e bom atendimento foram o foco principal nessa etapa que fez a diretoria da Fast Shop entender que estava pronta para entrar no mercado de varejo. 

Em 1996, a Fast Shop inaugurou sua primeira loja dentro de um shopping center. A loja do Shopping Ibirapuera, na capital paulista, focava no atendimento diferenciado. No ano de 2000, a rede inaugurou seu site de vendas pela internet. Paralelamente ao lançamento do site da Fast Shop, a expansão das lojas físicas continuou. 

Em março de 2008, a Fast Shop lançou a primeira Apple Premium Reseller do Brasil, batizada de A2YOU. Uma Apple Premium Reseller é uma loja local, independente e certificada pela Apple, por ser altamente qualificada em produtos da marca. Ao longo dos anos seguintes, continuou a ampliar frentes de atuação, marcas e parcerias.

Hoje, além de São Paulo, a Fast Shop está presente em grandes capitais como: Belo Horizonte/MG, Curitiba/PR, Porto Alegre/RS, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e outras cidades importantes do Brasil.

No ano de 2020, o faturamento da empresa foi estimado em R$ 4,3 bilhões. Dessa forma, a Fast Shop manteve o quinto lugar do Ranking, posição que a empresa também ocupava no ano anterior.

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