No início do ano de 2020, o mundo inteiro foi impactado com a pandemia do COVID-19. Por conta disso, os varejistas, em sua grande maioria, tiveram de fechar suas portas por algum momento, zelando pela vida dos seus colaboradores e clientes. 

Pelos fechamentos, as empresas se viram na necessidade de reinventar seus modelos de negócios, buscando, principalmente, fortalecer seus canais digitais, considerando que os clientes iriam migrar para o e-commerce por conta do fechamento das lojas físicas. 

De fato, o que aconteceu foi exatamente o esperado pelas empresas, um boom nas vendas digitais. Como prova disso, somente no Brasil o e-commerce avançou 41% em 2020, em relação ao ano anterior, atingindo faturamento de R$ 87,4 milhões, maior alta de 13 anos. Os dados são do relatório Webshoppers 43, da Ebit/Nielsen e do Bexs Banco.

A pandemia perdurou pelo ano de 2020 e se estendeu para o ano de 2021, em sua integralidade. Durante este período, houve inúmeras mudanças que alteraram as regras do jogo, principalmente relacionadas ao comportamento dos consumidores. 

Neste contexto de mudanças, é de sua importância olhar para trás e aprender com as empresas que se deram bem durante este momento turbulento. Entender quais estratégias foram adotadas pelas grandes empresas do segmento pode trazer insights valiosos para negócios do mundo todo.

De acordo com a pesquisa National Retail Federation (NRF) em parceria com a Kantar Retail, com base nas receitas internacionais, participação em franquias, capacidade de operar por meio de mercados online ou de abordagem omnicanal, as 5 maiores varejistas do mundo são: 

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O objetivo do conteúdo é apresentar cada uma das cinco principais varejistas do mundo, levantando informações como, por exemplo, estratégias adotadas durante a pandemia, momento atual da companhia e perspectivas de crescimento para os próximos anos. 

1. Walmart

O Walmart é uma varejista estadunidense com presença em vários países, tendo as lojas de departamento como o core business da operação. Fundada em 1969, pelo lendário Sam Walton, uma das personalidades mais importantes para o segmento varejista, a empresa possui, aproximadamente, 11.000 lojas em 27 diferentes países.

Apesar de possuir lojas em diversos países, grande parte da receita da companhia é concentrada nos EUA, representando cerca de 80% do total. A empresa está presente em todos os 50 estados americanos. 

No ano de 2021, a empresa faturou U$ 538,15 bilhões com suas atividades de varejo. Esse número é, aproximadamente, 63% superior à receita da Amazon, segunda colocada do ranking, evidenciando a supremacia do Walmart em relação à concorrência. 

Durante a pandemia, o Walmart desenvolveu uma série de iniciativas para superar o momento desafiador. A empresa reestruturou seu portfólio internacional, inclusive, desinvestiu em alguns países, como é o caso da África do Sul, local onde a companhia não obtinha bons resultados.

Além disso, a companhia aproveitou sua capilaridade e presença física robusta para reforçar sua cadeia logística, disponibilizando várias maneiras de comprar, nas mais diversas plataformas. Nesse sentido, com a integração desses canais, a empresa reforçou o modelo omnichannel, gerando uma experiência mais cômoda e positiva para os clientes.

Para expandir suas compras online para o público de baixa renda nos EUA e no México, a companhia está desenvolvendo iniciativas para prover acesso à internet por um custo baixo, aumentando seu público endereçável e, potencialmente, aumentando suas vendas neste canal. 

2. Amazon

A Amazon, fundada pelo icônico Jeff Bezos, é uma gigante empresa de tecnologia que nasceu em 1994, na garagem da casa do seu fundador. A empresa, que inicialmente começou vendendo livros na internet, agora possui uma diversidade de negócios, como e-commerce de produtos em geral, soluções de computação em nuvem, produtos de inteligência artificial, streaming e lojas físicas.

Ao contrário das demais empresas da lista, a Amazon nasceu digital e migrou para o mundo físico somente duas décadas depois de sua fundação. Em 2017 a empresa comprou a Whole Foods, uma rede de supermercados, reforçando sua presença no varejo físico.

Além do Whole Foods, a Amazon criou um modelo de loja autônoma, batizada de AmazonGo. Nesse modelo de loja, basta os clientes fazerem um pré-cadastro no smartphone, escanear o QR Code na entrada do estabelecimento, pegar os produtos nas prateleiras e, simplesmente, sair, sem ter a necessidade de passar por um checkout.

As câmeras de inteligência artificial espalhadas pelo teto reconhecem quais produtos foram levados e, automaticamente, cobram o valor correspondente no cartão cadastrado no aplicativo. A ideia da Amazon é vender essa solução de IA para outras empresas no futuro, aumentando ainda mais seu portfólio de produtos. 

Durante a pandemia, a empresa focou em manter forte receita das divisões de negócios presentes nos EUA e na Europa, além de seguir reforçando sua estratégia de expansão para países asiáticos e da América Latina, como é o caso do Brasil.

O foco da companhia nos últimos anos tem sido logística, com o objetivo de acelerar seu processo de entrega e garantir uma experiência mais satisfatória para seus clientes. Para isso, a empresa investe em tecnologia, centros de distribuição e frota para transportar os produtos. 

O AWS, serviço de computação em nuvem da Amazon, também vem reportando resultados robustos, ganhando mais participação na receita da companhia a cada trimestre. Além disso, a companhia também busca expandir sua rede de lojas físicas, tendo como diferencial o modelo de “Just Walk Out” citado anteriormente.

Com o sucesso dessa estratégia, a Amazon faturou cerca de U$ 330,2 bilhões no ano de 2021, se consolidando como a segunda colocada do ranking. Apesar de faturar menos, o valor de mercado da companhia é superior à qualquer outra do segmento varejista, pois considera-se uma boa perspectiva de crescimento para os próximos anos. 

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3. Schwarz Group

O Grupo Schwarz é uma varejista de origem germânica com presença em vários países do mundo. A empresa, fundada por Josef Schwarz em 1930, é focada no varejo alimentar, possuindo a bandeira Kaufland de hipermercados e a bandeira Lidl de supermercados. 

A companhia possui mais de 12.900 lojas espalhadas por 33 diferentes países e é responsável por empregar meio milhão de pessoas. Por conta desses números expressivos, o Grupo Schwarz é considerado o maior varejista da Europa e o terceiro maior do mundo. No ano de 2021, o negócio faturou U$ 158,58 bilhões.

A empresa adota uma postura de vender, majoritariamente, produtos de marcas próprias. Por conta disso, o Grupo Schwarz usufrui de benefícios como, por exemplo, maior rentabilidade, considerando que produzindo seus produtos internamente, exclui intermediários na cadeia, podendo praticar preços mais competitivos sem que as margens sejam afetadas.

Durante a pandemia, a empresa buscou aumentar sua penetração no online e potencializar suas capacidades de atendimento aos clientes. Além disso, também concentraram esforços em continuar expandindo a operação e remodelar algumas lojas menos rentáveis, principalmente na Europa Ocidental. 

4. Aldi

A quarta colocada do ranking é a Aldi, varejista supermercadista fundada em 1913, na Alemanha, pela família Albrecht. A empresa é a mais antiga entre as cinco citadas e possui, aproximadamente, 10.360 lojas, e está presente em diversos países da Europa, Ásia, Oceania e América. 

A empresa buscou investir fortemente em melhorar a experiência dos clientes e alavancar sua presença online, principalmente pelo e-commerce. Por conta dessa estratégia, a Aldi conseguiu manter um crescimento contínuo e consistente em todos os mercados que atua durante a pandemia.

Além da busca de se manter forte na Europa, a empresa também buscou reforçar a presença nos EUA, acelerando a abertura de lojas na região, sendo considerada a varejista que mais cresceu no território americano durante o período. 

O fato da empresa ser a mais forte da Europa Central contribui para que esses investimentos fossem possíveis, graças à resiliência da economia dos países do velho continente durante a pandemia, que acabaram sofrendo menos que as economias de países emergentes.

No ano de 2021, a empresa faturou U$ 134,67 bilhões. Mesmo este número sendo inferior ao faturamento da Costco, quinta colocada do ranking, a Aldi garantiu o quarto lugar, pois o ranking considera outros fatores além do faturamento, como, por exemplo, capacidade de operar por meio de mercados online ou de abordagem omnicanal.

5. Costco

A Costco é uma varejista americana, fundada em Seattle, em 1983. A empresa atua no formato de clube de vendas, baseado em recorrência e fidelidade, permitindo à empresa faturar mais com um número reduzido de lojas. Atualmente, a Costco está presente em 9 países e atua com 700 lojas. 

A empresa possui capacidades aguçadas na gestão do mix de produtos que, apesar de limitado por conta do número de lojas, é amplo em categorias. Além disso, a empresa busca adequar seu portfólio de acordo com as demandas da comunidade no qual a loja está inserida e privilegiando fornecedores locais.

Durante a pandemia, os consumidores enxergam o valor do modelo de clube de vendas. Por conta dessa mudança de comportamento dos consumidores e gestão eficiente, a empresa conseguiu impulsionar o crescimento em todos os mercados de atuação. 

O fato do modelo contribuir com a fidelização dos clientes fez com que a empresa conseguisse gerar um caixa robusto, permitindo a expansão do número de lojas e fortalecimento dos canais digitais. 

No ano de 2021, a companhia faturou incríveis U$ 187,18 bilhões. Se considerado o faturamento em relação ao número de lojas, a empresa sem dúvidas é a mais eficiente entre as outras empresas de supermercados presentes na lista.

Para os próximos anos, a companhia espera investir mais em serviços, para que, dessa forma, possa melhorar ainda mais suas margens e gerar valor para os membros.

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