De acordo com relatório publicado neste mês de janeiro pela BB Investimentos, são 8 varejistas que foram classificadas como Outperform (empresas com desempenho acima da média do mercado). O relatório revisando a avaliação teve como objetivo incorporar, principalmente, os resultados do 3° trimestre de 2019 e a redução do custo de capital, taxas de apólice e inflação.

Apesar do ótimo desempenho no setor de varejo em comparação com o Ibovespa em 2019, analistas destacam que ainda há captação positiva no decorrer de 2020. A retomada da confiança do consumidor, evolução na demanda nos eventos de final de 2019 e melhora na expectativa no mercado de trabalho ao longo de 2020, são alguns dos fatores que influenciaram nesse sentido.

Diante disso, baseado no potencial de alta e preço-alvo de compra das ações, na imagem buscamos trazer os 8 varejistas citados no relatório que vão se destacar em 2020.

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1. Restoque

A empresa dona de marcas como Le Lis Blanc, Dudalina e John John, mostrou em 2019 como essa corrida pela transformação digital pode até ter um grande potencial, mas, no curto prazo, pode ser dolorosa para o balanço de uma varejista. Ao reestruturar suas operações para dar mais relevância ao online, a Restoque saiu do lucro para o prejuízo. 

Contudo, o analista Thiago Macruz analisou os resultados da empresa no segundo trimestre de 2019 e apontou que eles podem ser vistos como negativos, mas que continuam refletindo a mudança de estratégia da empresa em direção à lucratividade. 

Para 2020, o relatório apontou a Restoque como a varejista com maior potencial de alta, com 95% e preço-alvo de R$ 32,3 para a compra de suas ações. 

2. Pão de Açúcar

Somente no Brasil, a receita bruta do quarto trimestre de 2019 alcançou R$ 16,5 bilhões, com avanço de 8,4%. Além disso, o e-commerce da empresa avançou 40% no ano passado, muito em razão da expansão da operação da James Delivery e consolidação da Cheftime como marca do GPA. 

Além disso, a empresa tem um dos programas de fidelidade líderes do setor, sendo um dos grandes pilares para o crescimento considerável da companhia nos últimos anos. O relatório apontou potencial de alta de 41,8% e preço-alvo de R$ 127,00 de suas ações. 

3. Via Varejo

As ações da varejista subiram cerca de 154% ao longo de 2019. Além disso, a empresa prevê aumento de 30% na receita de varejo online em 2020. Outro aspecto positivo abordado por Pedro Fagundes, analista da XP, é que houve melhora relevante na rentabilidade da companhia. 

A empresa divulgou seu conjunto de estimativas para 2020, e o maior destaque é a expansão prevista para as receitas do varejo online. A companhia tem expectativa de aumentar o GMV (Gross Merchandise Value) em 30%. Para o especialista em ações da Levante Investimentos, Eduardo Guimarães, a Via Varejo é sua principal indicação. 

“A Magalu comprou a Netshoes e a B2W tem parceria com a Centauro. Já a Via Varejo é um caso de turn around. Ela estava com problemas, arrumou a casa e vai voltar a subir. Tem um potencial mais interessante”, disse Guimarães. 

Segundo o relatório, o potencial de alta é de 33,1% e preço-alvo de suas ações é R$ 16,9. 

4. Hypera

Em 2019, o lucro líquido da Hypera subiu 10,3% entre julho e setembro, influenciado pela redução do imposto de renda, e encerrou o período em R$ 267,2 milhões. A receita líquida alcançou, pela primeira vez desde que a empresa passou a atuar exclusivamente no mercado farmacêutico, a R$ 1 bilhão.

O Ebitda, que mede a geração operacional de caixa da companhia, atingiu R$ 297,7 milhões, com crescimento de 3,3%. Contudo, o Ebitda ajustado foi de R$ 251,4 milhões, queda de 9,8% em comparação com o terceiro trimestre de 2018. Além disso, a margem caiu para 25,2%.

No entanto, segundo o banco a empresa ainda é considerada outperform, porque acredita que “os esforços da companhia para incrementar seus resultados estão na direção certa”. Segundo o relatório o potencial de alta é 24,2% e o preço-alvo de R$ 46,2.

5. Lojas Americanas

Anunciada durante o evento das Lojas Americanas e da B2W no último mês de dezembro, a recente integração dos negócios físico e online das duas empresas em uma plataforma multicanal, dará uma potente vantagem competitiva, disse o BTG Pactual, banco de investimento brasileiro.

“A plataforma combina 1,6 mil lojas, 15 centros de distribuição (mais 7 até 2022), 38 milhões de clientes ativos 20 milhões de unidades de manutenção de estoque, 38 mil vendedores e 35 mil comerciantes (fora do ecossistema da B2W)”, destacaram os analistas Luiz Guanais e Gabriel Savi. “Isso trará tráfego, diversidade, frequência e uma base de dados mais rica”.

Além disso, segundo a XP Investimentos, o anúncio da parceria entre sua carteira digital Ame e a Cielo irá fortalecer a estratégia de expansão da plataforma. Esses e outros fatores fizeram com que a BB Investimentos relatasse um potencial de alta de 16% e preço-alvo de R$ 31,3.

6. Lojas Renner

A Lojas Renner teve lucro líquido de R$ 189,3 milhões no terceiro trimestre de 2019, queda de 2,6% em relação ao mesmo período de 2018. Porém, ainda assim, as lojas tiveram crescimento de 8,3% nas vendas. A XP é uma das empresas que incluiu a Renner em sua lista de recomendações de compra. 

“A Renner oferece uma combinação única de maior alavancagem ao cenário de melhora no ambiente de consumo e exposição a uma das melhores empresas do setor, que provavelmente continuará ganhando participação de mercado, mesmo que a tão esperada recuperação do consumidor demore mais para se materializar”, afirmou Pedro Fagundes, analista da XP.

Guilherme Dias, da Sabe, também aposta na varejista de moda. Segundo ele, a empresa é uma das principais beneficiárias da melhora do ambiente econômico brasileiro. Segundo o relatório da BB, a empresa brasileira tem potencial de alta de 10,5% e preço-alvo de R$ 64,5.

7. B2W

Com receita de R$ 1,65 bilhão no terceiro trimestre de 2019, representando um avanço diante dos R$ 1,56 bilhão do mesmo trimestre de 2018, a empresa vem evoluindo apesar dos prejuízos apresentados.  Além disso, como citado acima, a integração dos negócios físico e online é benéfico não só para as Lojas Americanas, mas também para a B2W.

Com a recente entrada no varejo alimentar com a compra do Supermercado Now, a B2W também deverá fortalecer seu estoque, escala e base de dados. Portanto, esses e outros fatores fizeram com que o relatório apontasse potencial de alta 8% e preço-alvo de R$ 74,4 para a compra de suas ações. 

8. Raia Drogasil

A Raia Drogasil projeta pelo menos mais três anos de expansão, principalmente no ambiente online que ainda é algo recente no segmento farmacêutico e apresenta bastante potencial.

“Embora o e-commerce constitua apenas 2,5% das vendas da Raia Drogasil, acreditamos que a companhia está em um bom caminho, o que deverá trazer mais investimentos a curto prazo que podem pressionar as margens e até levar a um crescimento mais forte no futuro”, analisou o BTG.

No final de 2019, a Raia em conjunto com o Grupo Pão de Açúcar anunciaram a criação de um programa de fidelidade que deve iniciar as operações no segundo semestre de 2020. Batizado de Stix Fidelidade, o novo programa tem com objetivo ampliar a base de clientes de ambas as companhias, bem como a frequência de compras, disse o diretor-presidente do GPA, Peter Estermann.

De acordo com o relatório, o potencial de alta da varejista farmacêutica é de 7,4% e preço-alvo de suas ações é R$ 120,7.

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