“O tempo de conscientização já passou, é tempo de ação, propósito e resiliência”, esse é o início de um relatório feito pela Accenture, empresa de consultoria global, com foco no mesmo tema abordado no texto abaixo.

Líderes de organizações em todo o mundo estão imersos em um desafio que poucos poderiam imaginar. A COVID-19 deu início a um cenário novo para as pessoas e a indústria. 

À medida que começaram os processos de reconstrução e restauração das empresas, mais coisas mudaram do que permaneceram as mesmas. Em meio a essa era sem precedentes de ruptura e renascimento, as companhias têm a oportunidade de se reconstruir e fortalecer, ao mesmo tempo que mitigam os impactos negativos na sociedade. 

Enquanto os CEOs assistiam metaforicamente ao incêndio de suas casas, as partes interessadas, de investidores a consumidores, foram testemunhas das vulnerabilidades em larga escala das cadeias de valor e da inadequação da diversidade. 

O artigo tem como objetivo apresentar ações relacionadas com as possíveis mudanças que possam ocorrer nas empresas que tenham foco na lucratividade e sustentabilidade.

Como estava o cenário pré-pandêmico

Simplesmente não havia uma preparação para o que estava por vir. Um impulso natural é controlar os custos e voltar aos negócios normalmente. Mas isso seria uma oportunidade perdida. 

Os líderes estão reconstruindo suas empresas de forma proativa, fortalecendo a fundação e reestruturando de maneiras que eram impossíveis de contemplar há pouco tempo. 

O exemplo disso é o forte avanço do online no de 2020, segundo levantamento da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em parceria com a Neotrust, apresentado pelo G1, o crescimento nas vendas foi de 68% quando comparado com o ano de 2019.

Esse novo cenário elevou a participação do e-commerce no faturamento total do varejo, que passou de 5% no final de 2019 para um patamar acima de 10% em alguns meses do ano.

Diante desse contexto, a próxima era tem como um de seus pilares as transformações lideradas por tecnologia atreladas a um alinhamento de propósito, inclusão, restauração e resiliência que a economia global nunca viu.

Emergindo da crise

Além dos problemas climáticos que já eram presentes antes da pandemia, as crises sociais revelam muitas oportunidades e mostram, cada vez mais, a necessidade de mudança de rumo. Cadeias de suprimentos com poucos recursos e cadeias de demanda desalinhadas não podem mais ser o padrão.

As crescentes demandas públicas dos investidores por rastreabilidade e transparência colocarão mais pressão sobre as questões materiais. A partir da dificuldade deste momento, é possível ver uma nova oportunidade para decidir não apenas como as empresas se recuperarão, mas também como elas podem ser preparadas para o futuro. 

Os investimentos focados em empresas com fortes princípios ESG superaram suas contrapartes convencionais no primeiro trimestre de 2020, mesmo com o surto levando os mercados à altas quedas. Operar dentro dos protocolos de maior responsabilidade ESG traz avaliações mais altas e volatilidade reduzida enquanto mitiga riscos materiais

Negócios com modelos com altos prejuízos ao meio ambiente e cadeias de suprimentos estáticas e delicadas, que não valorizam consumidores, funcionários, investidores e o planeta, estão destinados a perder essa oportunidade de se fortalecer. 

Alguns dados comprovam isso, como apresentado no artigo “ESG e a era da Responsabilidade no Varejo”.

O Varejo deve estabelecer o ritmo

Embora todas as indústrias devam buscar maneiras de redefinir as práticas que apóiam a recuperação e o crescimento proposital e resiliente, as empresas varejistas estão em uma posição única para fazer isso, pois estão programadas para a mudança.

O contato próximo e direto com o consumidor final, além da alta relevância da indústria para a economia global, faz com que as ações das varejistas tenham consequências mais rápidas e as mudanças sejam vistas aos olhos do público de forma mais transparente.

Exemplos de ações são vistas em muitas das organizações do setor, em especial aquelas referência na área, Emanuel Chirico, Presidente e CEO da PVH Corp, mostrou sua visão sobre o tema na seguinte afirmação:

“Embora a indústria de roupas seja transformada de forma única após a pandemia, temos a responsabilidade de ajudar a moldar esse “novo normal” para o benefício de todas as partes interessadas. Estamos firmes em nossos compromissos de priorizar a ação climática, construir cadeias de abastecimento mais rígidas e resilientes, lutar por justiça social e fornecer produtos mais sustentáveis aos nossos consumidores.”

Beneficiando todos os stakeholders

A sustentabilidade atende a todas as partes interessadas. Já se foi a noção de sustentabilidade corporativa como um “extra”, hoje é fácil encontrar relatórios destacando a redução seletiva de resíduos dentro das empresas ou exibindo funcionários arregaçando as mangas para dias de voluntariado. 

Sabe-se que a sustentabilidade, quando integrada a todas as funções de negócios, pode abrir novas oportunidades de crescimento. Com isso, ela passou a também fazer parte do que consumidores, funcionários e investidores começaram a exigir das empresas.

Com relação aos investidores,  Larry Fink, Presidente e CEO da BlackRock, fez a seguinte afirmação: 

“A sustentabilidade conduzirá a forma como gerenciamos riscos, construímos portfólios, projetamos produtos e nos relacionamos com as empresas.” 

Já os consumidores, 81% deles planejam comprar produtos mais ecológicos nos próximos cinco anos, segundo pesquisa Global de Sustentabilidade do Consumidor da Accenture Chemicals 2019.

Por fim, 67% dos empregados concordam ou concordam significativamente que as empresas irão se ‘reconstruir melhor’ investindo em soluções sustentáveis e justas de longo prazo, de acordo com o relatório Accenture COVID-19 Consumer Pulse Research.

A tecnologia como braço direito

Nesse processo, a tecnologia se torna uma das chaves principais. As estruturas digitais, análises, Inteligência Artificial e Machine Learning que criaram maior transparência também garantirão o caminho mais rápido para a recuperação.

Combinada com avanços em dados, programação algorítmica e ferramentas cada vez mais precisas, a sustentabilidade se torna o caminho para a restauração, enquanto fortalece seus processos para construir um futuro mais resiliente. 

De acordo com a relatório produzido pela Accenture, a revolução já começou e os pontos abaixo são exemplos que ilustram isso:

  • Ferramentas de modelagem de risco e oportunidade sobrepõem diferentes fatores de risco em seus mapas de cadeia de suprimentos para modelar cenários de longo prazo para operações estratégicas e planejamento, ou seja, se trata de eficiência da cadeia de suprimentos por meio de uma lente ESG
  • A inovação de materiais sustentáveis, como materiais de base biológica e derivados de subprodutos de resíduos, aumenta a circularidade e reduz o desperdício
  • Avanços nas tecnologias digitais combinadas permitem rastreabilidade e visibilidade de ponta a ponta para agilizar parcerias, fornecer rastreamentos para o mercado, serviços de autenticação e permitir processos mais sustentáveis
  • Embalagens reutilizáveis, recicláveis, compostáveis ​​e até comestíveis minimizam os gastos com materiais e coleta
  • A inteligência artificial/análise preditiva está aprimorando a arte e a ciência do planejamento, decifrando os interesses do cliente e eliminando o sentimento social para enfocar as decisões de merchandising e impulsionar as vendas 
  • A impressão 3D do produto em escala fornece modelos de produção sob demanda que se alinham à demanda e eliminam o desperdício

Ações de varejistas que se preocupam com o ESG 

  • Trabalhar para eliminar resíduos e emissões de CO2 em todos os estágios da cadeia de valor, desde as matérias-primas até o processamento, transporte e uso no final da vida do produto 
  • Adquirir ativamente materiais produzidos e fornecidos de maneira mais sustentável, por meio de padrões globais de sustentabilidade, além de explorar opções para usar mais materiais reciclados 
  • Buscar melhorar a transparência da cadeia de suprimentos e ser transparente sobre como, onde e em quais condições os produtos são feitos 
  • Explorar modelos de negócios circulares 
  • Colaborar com iniciativas globais para garantir os trabalhadores são pagos e tratados de forma justa em toda a cadeia de valor
  • Ajudar os clientes a fazerem escolhas informadas sobre o que compram e como prolongar a usabilidade de suas compras.

Conclusão

O compromisso com a mudança de mentalidade tem se tornado cada vez mais necessário, CEOs em todo o mundo começam a reconhecer o quanto a sustentabilidade pode ser lucrativa. Diante disso, eles estão reagindo para que não precisem lidar com os riscos inerentes aos modelos operacionais não sustentáveis. 

Especialmente nesta época de restauração e reconstrução, os líderes em todos os setores do varejo estão pensando na sustentabilidade não como um problema a ser resolvido, mas como a solução, mais limpa, mais eficiente, menos desperdiçadora e integrada em todas as funções do negócio. 

Eles assumiram publicamente o compromisso de fazer mudanças nas operações, produtos, serviços, cultura e em toda a cadeia de suprimentos. O momento de recuperação econômica é a chance de fazer melhor e de causar menos danos. As apostas agora são maiores e, com isso, as oportunidades de negócio são maiores.

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