Barreiras de entrada é um termo econômico e comercial que descreve fatores que podem evitar ou impedir a entrada de players em um mercado ou setor industrial e, assim, limitar a concorrência.

Como a própria definição do termo apresenta, as barreiras de entrada não estão ligadas apenas a empresa interessada em entrar ou que está entrando em um determinado mercado. É de extrema importância a análise para quem também já é um player existente.

Identificar novos entrantes que podem redistribuir o market share de um setor é um trabalho necessário e contínuo pelas empresas, o que impacta diretamente as tomadas de decisão de curto e longo prazo.

O artigo apresenta os pontos que se devem ter atenção ao tomar as decisões em uma organização e como as barreiras de entrada estão presentes e afetam as análises.

Os principais tipos de Barreiras de Entrada

As barreiras de entradas podem ser específicas em diversos segmentos, existem aquelas que estão presente em apenas um ou aquelas que mais aparecem em muitos contextos diferentes. Dentre os diversos tipos de Barreiras de Entrada, as que mais se destacam (e um exemplo) são:

  • Economias de Escala
    • Redução custo
  • Diferenciação do Produto
    • Marcas com propostas distintas
  • Custos de Mudança
  • Vantagens no Custo
    • Tecnologia de ponta
  • Acesso aos Canais de Distribuição
    • Logística de suprimentos
  • Necessidades de Capital
    • Investidores com grande capital
  • Políticas Governamentais
    • Subsídios fiscais

No entanto, é importante ter em mente que embora as barreiras de entrada protejam todas as empresas em uma indústria, existem aquelas que vão ser mais relevantes e outras não, o que depende do contexto onde uma empresa está inserida.

Para exemplificar relevância de barreiras de entrada, imagine entrar na indústria do varejo de eletrodomésticos como uma empresa verticalmente integrada, estabelecida a nível nacional e com uma linha ampla de produtos, seria muito mais difícil do que penetrar como um montador de uma linha reduzida de produtos sem marca definida para atender a pequenos contratos de marcas privadas.

Michael Porter, em seu livro Estratégia Competitiva, aponta que a visão de que as barreiras de entrada dependem do grupo de clientes que a empresa vai atender traz consigo outra implicação importante. 

“Essas barreiras não só protegem as empresas em um grupo estratégico de penetração por empresas de fora da indústria como também fornecem barreiras para a mudança de posição estratégica de um grupo estratégico para outro.

Para ficar mais claro, olhe novamente o exemplo do montador de eletrodomésticos com linha reduzida e sem marca caracterizada. É possível enxergar que ele enfrentará muitas, ou senão todas as dificuldades de penetração no grupo estratégico constituído pelas empresas integradas com linha ampla e prestígio nacional enfrentadas por uma empresa entrante.

Esse cenário e outros parecidos como esse afetam diretamente os principais tipos de barreiras citados acima, o que gera um desestímulo para o entrante no mercado, gerando naturalmente uma concentração maior do market share.

Barreiras de entrada também impactam a saída

O entendimento dessa frase pode ser um pouco confuso sem analisar seu contexto e as variáveis que impactam nesse sentido. Para facilitar a interpretação, abaixo será apresentado o exemplo de um varejista supermercadista.

É uma situação em que um supermercado não performa de acordo com os desejos dos sócios e, consequentemente, não tem uma taxa de retorno maior do que a taxa mínima de atratividade daquele investimento, o que gera naturalmente o desejo de acabar com a operação da empresa.

Ao imaginar um cenário de várias empresas estarem passando pela mesma situação difícil com relação aos resultados, seria comum alguns dos players também analisarem e tomarem a decisão de sair desse setor.

Tendo isso em mente, uma das análises para tomar essa decisão está relacionada a um possível potencial de retorno futuro que essa indústria pode oferecer dentro daquele contexto, já que terá uma menor quantidade de concorrentes no futuro.

Isso impactaria diretamente a tomada de decisão de todas as empresas no exemplo dado, já que a quantidade menor de players no mercado poderia não só possibilitar uma redução de custos com economia de escala, por exemplo, como também aumento da receita, já que naturalmente o market share seria redistribuído.

Portanto, aquelas barreiras de entrada que uma empresa precisa passar ao penetrar em um novo segmento, pode impactar diretamente sua decisão de saída, já que a situação afeta variáveis tanto para o supermercado que foi apresentado no exemplo, como para seus concorrentes.

Esse exemplo é bem específico, mas ao imaginar diversos outros cenários, é possível perceber que a tomada de decisão de sair de um segmento é diretamente impactada pelas barreiras de entrada, tendo em vista que elas também afetam os outros players do mercado e, como consequência, a empresa que tem o desejo de sair também.

Existem mais variáveis impactadas pelas Barreiras de Entrada

Diante desse contexto de variáveis que impactam a saída, ao fazer uma análise profunda, é possível perceber que outras áreas da empresa também são diretamente impactadas pelas barreiras de entrada.

Essas variáveis podem estar relacionadas a diversos cenários, sejam eles de inovação de produtos e processos, poder de barganha em negociações, percepção de força frente aos concorrentes e até mesmo com relação a visão dos clientes associados a uma empresa.

Para ficar mais claro, um exemplo de um varejista que vende produtos de tecnologia como celulares e computadores em uma pequena cidade do interior pode ser visto como uma referência para os cidadãos daquele local, tendo em vista a baixa demanda e naturalmente uma oferta pequena.

Contudo, esse cenário pode mudar, as barreiras de entrada não parecem ser tão grandes se houver alguma mudança na situação da cidade, como por exemplo um cenário de uma nova fábrica que impulsiona a chegada de novos habitantes e, como consequência disso, aumentando a demanda por esse tipo de produto na área de tecnologia.

As tomadas de decisão desse varejista existente podem estar totalmente ligadas a preocupação dele quanto a entrada de um novo concorrente diante desse aumento de demanda. Esse cenário pode, por exemplo, fazer com que ele crie planos de fidelidade para os clientes ou até mesmo aproveitar a economia de escala para vender os produtos em preços mais competitivos.

Esse é um possível exemplo de outras variáveis que as barreiras de entrada podem impactar diretamente as tomadas de decisão de um varejista. Porém, uma atenção especial nesse sentido deve estar presente em qualquer cenário de diversos setores.

A entrada de novos players em um mercado ou até mesmo a ameaça de entrada dessas empresas podem não só reduzir o market share de uma empresa, mas também, em cenários bem estudados e com uma boa preparação, podem ser benéficos para essa organização.

Novos entrantes podem ser benéficos

A afirmação no título pode gerar alguma confusão na mente do leitor. Porém, é sim possível que uma empresa existente seja beneficiada com novos players no mercado, e isso pode acontecer em diversas situações diferentes.

Abaixo serão citados 3 exemplos nesse sentido:

  • Novo player tem seu público-alvo um perfil similar ao do concorrente, o que pode gerar:
    • Guerra de preços
    • Investimentos maiores em marketing e consequente redução de margem
    • Especialização em um sub-segmento específico
    • Perda de força em outros sub-segmentos
    • Canibalização de produtos
  • Novo player criando ou se especializando em um ou mais sub-segmentos de um setor, o que pode fortalecer a posição de um player existente em um outro sub-segmento mais forte ou até mais de um sub-segmento
  • Novo player impactando diretamente os fornecedores existentes do setor em umas duas principais fontes:
    • Redução do poder de barganha dos fornecedores
    • Aumento de força, possibilitando economia de escala e possível redução de preços dos fornecedores

São muitos os cenários em que o aumento da concorrência pode gerar impactos positivos nas empresas. Além desses citados acima, novos entrantes podem gerar inovações, benchmark positivo possibilitando melhoria na gestão e demais outros  benefícios.

A atenção, no entanto, deve estar na preparação e adequação de possíveis novos cenários, onde a mudança no ambiente competitivo de um setor pode gerar ou destruir valor para as empresas existentes e também para seus clientes.

Conclusão

As tomadas de decisão nas empresas devem ser feitas após análises de diversas variáveis. Porém, é comum principalmente em pequenas empresas, onde há necessidade de maior velocidade, ocorrer de ter um detalhe não visto ou com falta de atenção necessária a esse detalhe, o que pode causar prejuízos gigantescos para a organização, não só a curto como também a longo prazo.

No varejo não é diferente, a análise quantitativa e qualitativa é necessária, e existem muito mais variáveis do que geralmente são estudadas por grande parte dos tomadores de decisão. 

As barreiras de entrada são alguns desses fatores comumente não analisados, o que naturalmente pode causar danos para a empresa, tendo em vista que novos players, como abordado no texto, impactam todo o ambiente competitivo.

Fica evidente, portanto, a necessidade não só de uma análise bem feita do quanto as barreiras de entrada impactam as tomadas de decisão, mas também na preparação para que esse movimento seja o menos prejudicial possível, ou até mesmo positivo para a empresa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui