Segundo o estudo Impactos no Varejo – COVID-19, realizado pela Google, o primeiro efeito da pandemia é um aumento nas vendas online em relação ao comércio físico, devido a redução da circulação de pessoas por ambientes públicos e fechados.

O comportamento do consumidor vem se alterando de forma significativa diante do cenário de incerteza. A primeira reação da população foi sair para as compras para estocar produtos e, por esse motivo, muitas empresas, principalmente supermercados, tiveram problemas com falta de abastecimento

Porém, depois desse primeiro momento em que a população se preocupou com a falta de produtos nos lares, a frequência nos pontos de venda reduziu drasticamente. Um dos motivos é a utilização de novos canais, como compras por WhatsApp, por exemplo.

De acordo com pesquisa realizada pela Connect Shopper, quase 8 em cada 10 shoppers (78%) estão experimentando as diferentes formas de varejo online neste momento. Esse dado comprova a mudança de comportamento do consumidor em meio a esse cenário.

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Principais Efeitos no Varejo Mundial

De acordo com previsões da Organização Mundial do Comércio (OMC), a pandemia de Coronavírus deve gerar uma queda entre 13 e 32% no comércio mundial de mercadorias no ano de 2020.

Embora incertas, há estimativas de que a recuperação possa ocorrer ainda em 2021. No entanto, os resultados dependem da duração do surto e da eficácia das ações tomadas em relação à crise, como por exemplo o tempo de isolamento social e consciência da população.

A OMS desenhou dois cenários para o futuro pós surto, sendo um mais pessimista e o outro um pouco mais otimista. O cenário mais otimista prevê uma queda no comércio, com o início de uma recuperação ainda no segundo semestre de 2020. Já o cenário pessimista, indica uma queda mais acentuada, com uma recuperação lenta e parcial.

Nos EUA, as vendas no varejo sofreram queda recorde em março, uma vez que os fechamentos obrigatórios de empresas para controlar o surto de coronavírus prejudicaram a demanda por uma série de produtos, de acordo com a Reuters.

O Departamento do Comércio informou que as vendas varejistas despencaram 8,7% em março, maior queda desde o início da série do governo em 1992, depois de caírem 0,4% em fevereiro. A expectativa em pesquisa da Reuters junto a economistas era de que as vendas no varejo caíssem 8% no mês passado.

Impactos do Coronavírus no Varejo Brasileiro

No mês de fevereiro, quando o Covid-19 ainda apresentava poucos casos confirmados no Brasil, o segmento varejista surpreendeu e registrou alta dano volume de vendas; No melhor resultado para o mês em quatro anos, ainda sem registrar os efeitos do fechamento de lojas e comércios devido às medidas de combate ao vírus.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas no varejo teve em fevereiro alta de 1,2% em relação a janeiro. Foi o resultado mais forte para o mês desde 2016 e contrariou a expectativa em pesquisa da Reuters de recuo de 0,3%.

Porém, com a propagação do vírus no país e a medida de isolamento social, as vendas no varejo brasileiro recuaram 11,7% em março, descontada a inflação, em comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA)

Em termos nominais, que espelham a receita de vendas observadas pelo varejista, o ICVA apresentou queda de 9,7%. É o resultado mais negativo apurado pelo índice desde sua criação em janeiro de 2014.

De acordo com a pesquisa, os blocos de Serviços e de Bens Duráveis apresentaram queda nas vendas, de 29,8% e 24%, respectivamente, na comparação com março de 2019. Apenas o grupo de setores de Bens Não Duráveis, onde estão Supermercados e Farmácias, apresentou crescimento (5,7%).

A pesquisa da ICVA também apurou que todas as regiões do país apresentaram queda no mês de março. A maior queda foi observada na região Sudeste: -17,1%. Na sequência aparecem as regiões Centro Oeste (-9,3%), Nordeste (-9,1%), Sul (-9,1%) e Norte (-6,0%).

Para tentar mensurar os impactos no mercado, a Cielo, empresa de tecnologia e serviços para o varejo, está atualizando todos os dias um boletim, que tem como objetivo mostrar como a COVID-19 tem impactado o comércio e, consequentemente, gerando uma crise no varejo brasileiro. 

A imagem abaixo foi divulgada pela Cielo, e explicita o faturamento nominal no varejo, desde o início de março até a terceira semana de abril. É possível notar que em todos os períodos houveram quedas no faturamento, com maior destaque para a quarta semana de março, onde houve a maior queda. A média da queda do faturamento somou 27,7 pontos percentuais no total.

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Fonte: Cielo | ICVA – Índice Cielo do Varejo Ampliado

Durante o mesmo período, o varejo de bens não duráveis, que correspondem à super e hipermercados, drogarias, farmácias, postos de gasolina, entre outros, obtiveram uma queda de, somente, 0,5% em seu faturamento nominal em relação à dias compatíveis antes do surto. 

Por outro lado, o varejo de bens duráveis, que corresponde à setores de vestuário, móveis, materiais de construção, entre outros, obteve uma queda de 43,3% de redução em seu faturamento nominal em relação à dias compatíveis antes do surto.

Já o varejo de serviços, que corresponde à bares, restaurantes, turismo, autopeças, entre outros, foi o setor mais prejudicado em termos de faturamento. A queda foi de 55,6% em relação à dias compatíveis antes desse período. O isolamento social e os decretos que impedem o funcionamento desses estabelecimentos são os principais “culpados” pela queda alarmante.

Mudança nos Hábitos de Consumo

Uma pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) constatou que, no momento atual, quase 80% dos consumidores estão comprando apenas produtos essenciais, o que mostra a mudança drástica no hábito de consumo. Na média geral, apenas 15,4% do total de entrevistados responderam que, “por enquanto, não foram afetados”.

Um levantamento realizado pela Nielsen identificou algumas alterações nos hábitos das pessoas que irão se intensificar globalmente e que poderão se repetir também no Brasil. Um deles é o maior consumo de produtos de higiene e limpeza pós pandemia. A empresa acredita fortemente que os consumidores sairão mais conscientizados da crise.

Um estudo da MindMiners, realizado a pedido da agência Leo Burnett, colheu amostras entre o dia 13 março até o dia 13 de abril, apontou que produtos de higiene pessoal (30%), produtos de limpeza para a casa (21%) e medicamentos (14%) lideram o ranking de categorias que, segundo os consumidores, são os itens mais buscados. Para os entrevistados, houve uma corrida por álcool em gel (83%), sabonetes líquidos (56%) e desinfetantes (45%).

Fernando Gambôa, sócio-líder de Consumo e Varejo da KPMG na América do Sul, expôs sua opinião sobre a mudança de comportamento dos hábitos de compra.

Em linhas gerais, o consumidor foi empoderado: abandonou seu papel passivo e se tornou o epicentro em torno do qual o setor evolui e as empresas definem sua estratégias. Nesta realidade, há várias arestas que as empresas precisam aparar para terem sucesso.

“Em linhas gerais, o consumidor foi empoderado: abandonou seu papel passivo e se tornou o epicentro em torno do qual o setor evolui e as empresas definem sua estratégias. Nesta realidade, há várias arestas que as empresas precisam aparar para terem sucesso.”

E-commerce em Tempos de Coronavírus

De acordo com levantamento realizada pela Compre e Confie, no período de 1 a 19 de fevereiro foram realizados 10,1 milhões de pedidos no varejo online, valor que representa queda de 7,7% em relação ao período anterior à divulgação da doença.

Neste momento as pessoas estavam receosas em questões financeiras e ainda não havia o decreto de fechamento de porta dos estabelecimentos. Por conta disso, os números se apresentaram negativos, mas, em seguida, o cenário se alterou por completo.

Um outro estudo realizado pelo movimento Compre e Confie, constatou que houve aumento tanto do número de pedidos quanto do faturamento, mas uma ligeira diminuição do ticket médio. O aumento no número de pedidos é o mais considerável e alcançou 30%.

O Mercado Livre, por exemplo, registrou na primeira quinzena de março um avanço de 65% nas vendas de produtos dos segmentos de saúde, cuidado pessoal e alimentos e bebidas, na comparação com igual período de 2019. A comparação envolve itens como máscaras protetoras e álcool gel e produtos de primeira necessidade (alimentos, papel higiênico, fraldas etc).

Outro exemplo é o Carrefour, que viu seu comércio eletrônico mais que triplicar no último mês como resultado das medidas de isolamento social para conter o novo coronavírus.

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Conclusão

O momento delicado enfrentado pela humanidade irá moldar alguns comportamentos no mercado. O consumidor será mais exigente e terá novos hábitos, e isso faz com que apareçam novas demandas e prioridades, forçando as empresas a se enquadrarem ao novo público.

Porém, estruturar um novo processo demanda tempo e recursos para estabelecer uma operação minimizada de atritos. Diante disso, fica claro que as empresas não terão o tempo necessário para se prepararem e terão de acelerar a transformação digital para atenderem seus clientes de forma que gere uma experiência de compra positiva para eles.

Nesse momento, as empresas que já se transformaram digitalmente serão beneficiadas, pois os processos já estão bem definidos e funcionando com qualidade, o que facilita o processo para entregar uma experiência satisfatória.

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