O preço do frete e o prazo para entrega de produtos comprados em lojas virtuais são alguns dos principais motivos pelos quais consumidores abandonam o carrinho de compras, o que indica a grande importância da logística no varejo. 

O setor é estratégico para qualquer empresa, pois está relacionado a atividades essenciais, como compras, armazém e vendas, e influencia os resultados financeiros e a satisfação do cliente. 

Porém, apesar de sua grande importância, a logística é negligenciada por várias empresas do segmento, fato este que pode resultar em grandes perdas operacionais, podendo culminar no fracasso do negócio.

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O que é logística e quais são os aspectos fundamentais na gestão de varejo?

Pela definição do Council of Supply Chain Management Professionals, logística é a parte do gerenciamento da cadeia de abastecimento que planeja, implementa e controla o fluxo e armazenamento eficiente e econômico de matérias-primas, materiais semi-acabados e produtos acabados, bem como as informações a eles relativas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes. 

Quando aplicada ao varejo, a logística precisa garantir que os consumidores encontrem o que procuram nas prateleiras, ou seja, não apenas tem impacto sobre a experiência de compra do consumidor, como também influencia na forma como ele enxerga a marca.

A logística no varejo geralmente é distribuída entre aquisição, transporte, armazenagem e distribuição. Abaixo é apresentado cada umas dessas fases logísticas de forma específica.

Aquisição

A função compras, ou aquisição, tem como principal objetivo garantir o fluxo contínuo da produção e disponibilidade de produtos para os consumidores, sem a interrupção por faltas, provendo o processo necessário dentro das especificações de qualidade requeridas, para garantir que os produtos estejam disponíveis no tempo certo. 

O uso da tecnologia da informação contribui muito nesse sentido. Diferentes sistemas informatizados permitem um fluxo de informações mais veloz e preciso, permitindo decisões mais apuradas no momento de comprar ou não, eliminando as decisões através do “achismo” e reduzindo as chances de insucesso.

Transporte de Cargas

Essa modalidade compreende todo o processo pelos quais os produtos passam até chegar às lojas, ou seja, envolve atividades que englobam o transporte das mercadorias até o estabelecimento para que, depois de organizados no estoque, os produtos possam ser disponibilizados para os consumidores finais. 

A cadeia de abastecimento, que liga o fornecedor ao varejista, permite que os produtos cheguem até as prateleiras do comércio. Dessa forma, é possível afirmar que a logística de varejo é o que garante que o consumidor final tenha acesso a esses produtos.

Armazenagem

A armazenagem, ou gestão de estoque, é uma das principais tarefas que devem ser realizadas em negócios que lidam com estoques de produtos, sejam matéria-prima, produto acabado ou insumos. 

A gestão de estoque representa a capacidade da empresa organizar e controlar a quantidade de cada produto em um determinado momento. Além disso, ela permite que a empresa entenda seu mix de produtos e suas demandas, que por sua vez irá determinar as necessidades de compra.

Distribuição

Distribuição é sobre como gerenciar um material fornecido e armazenado que é enviado para os locais onde é necessário. O processo inclui a emissão de movimento de material (carregamento, descarregamento e transporte), rastreamento de estoque e responsabilidade de uso.

No varejo essa fase é encarregada de disponibilizar os produtos para o cliente final, de maneira que atenda todas as suas expectativas. Para isso, é preciso expor os produtos corretos, da maneira e no tempo certo, para evitar possíveis quebras na operação. 

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Desafios logísticos para varejistas brasileiros

O desempenho logístico no Brasil ainda é considerado baixo, sobretudo se comparado à performance de outros países, como os Estados Unidos e a China. A falta de infraestrutura ainda é um problema a ser combatido, que influencia muito nos custos das empresas.

De acordo com um estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nos últimos 20 anos, o Brasil investiu somente 2,18% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, um valor muito baixo se comparado com as demais economias emergentes, que investem entre 4 e 5% do PIB para melhorar a infraestrutura.

Já na análise de 2018 do Logistics Performance Index and its Indicators (LPI), o Brasil ocupa a 56ª posição de 167 países, apresentando a nota 3,1 de 5 no quesito “competência logística”.

Essas informações são só a ponta do iceberg que denuncia os grandes problemas de logística enfrentados pelos brasileiros e que atrapalham o desenvolvimento do mercado interno e externo.

Ao mesmo tempo, setores predominantemente dependentes da estrutura logística se encontram em expansão, como é o caso do e-commerce, gerando um grande desequilíbrio entre a demanda e capacidade de entrega do setor logístico do país.

Alguns estudiosos do tema apontam que esse desequilíbrio não será superado tão cedo, afirmando que os problemas de logística vão permanecer na realidade brasileira, pelo menos, nos próximos 15 anos, principalmente em relação ao transporte terrestre, com destaque para o rodoviário, responsável por transportar 80% dos produtos no país.

Diante dos dados apresentados acima, é possível visualizar que o principal problema logístico, não apenas do varejo, mas sim do Brasil, está relacionado ao transporte de cargas, que está predominantemente concentrado no modal viário. 

Maneiras de superar os desafios logísticos no Brasil

Baseado em um artigo produzido pela Cargo X, grande referência logística no Brasil, existem alguns pontos a serem considerados para buscar solucionar os problemas da logística brasileira, principalmente relacionado ao transporte de mercadorias. São eles:

Aplicação dos conceitos de inteligência e alta performance

A aplicação de conceitos de inteligência e alta performance é o passo inicial para vencer os desafios da logística de transporte de uma empresa. Partindo de uma perspectiva e estratégia, tais conceitos devem ser implementados ao longo de toda a cadeia logística.

Adoção de programas de gestão de riscos

Para promover melhorias constantes nas operações logísticas, os gestores devem adotar duas medidas essenciais: capacitar sua equipe de logística e analisar o resultado de todas as decisões tomadas quanto ao processo de logística da empresa.

Isso exige a adoção de um programa de gestão de riscos bem estruturado que contemple, dentre outras coisas, o emprego qualificado da tecnologia nos processos logísticos, o gerenciamento correto do frete para reduzir os efeitos de sua defasagem e a modernização da comunicação e da gestão organizacional da empresa.

Foco nas tendências e inovações de logística

Para reduzir os custos com o processo de logística e maximizar sua eficiência, as empresas devem estar atentas às tendências e inovações não só da área de logística, mas também da gestão de negócios. 

Isso permitirá a realização de todos os processos gerenciais e operacionais da organização de um modo que proporcione maior economia de recursos e o aumento da produtividade.

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Diversificação dos modais de transporte

Para solucionar os problemas causados pela falta de infraestrutura da malha viária do Brasil, a saída é investir em modais alternativos de transporte, como o ferroviário ou o hidroviário. 

O uso desses modais aliviaria o fluxo de veículos nas estradas e possibilitaria maior alcance nas regiões norte e nordeste. Além disso, aumentaria o desempenho das empresas de transporte, tornando-as mais eficientes e reduzindo o tempo para a entrega dos produtos.

Adoção de medidas preventivas de segurança

A contratação do seguro de cargas reduz os prejuízos causados pelos roubos, mas é preciso investir em medidas preventivas para dificultar ao máximo a ação de quadrilhas criminosas.

Essas medidas envolvem questões essenciais do planejamento de rotas e consistem em capacitar motoristas e colaboradores para que saibam como agir quando abordados por bandidos, avaliar a necessidade de contratar uma escolta armada e definir rotas de entrega variadas que permitam evitar o transporte de mercadorias à noite e por trechos com índices elevados de transporte.

Tendências Logísticas no varejo brasileiro

O uso da inteligência artificial é uma das principais tendências apontadas para diversos setores. Soluções que utilizam a tecnologia podem ajudar a analisar dados, perceber padrões, prever e evitar falhas, além de tomar decisões gerenciais acertadas de forma mais rápida, eficiente, automatizada.

Ganho de produtividade e uma consequente redução de gastos são alguns dos benefícios associados. A tecnologia pode ajudar a, por exemplo, otimizar o setor de transporte, com a escolha de melhores rotas, e o armazenamento, com o cálculo das quantidades ideais para itens no estoque.

A utilização da Internet of Things (IoT), ou Internet das Coisas, é outra tendência para o futuro. A tecnologia que possibilita conectar dispositivos eletrônicos pode ser utilizada para facilitar diversas atividades logísticas, como o controle de rotas, a gestão de estoque, análise de consumo de combustível e até o monitoramento de cargas em tempo real.

O monitoramento da frota também pode ser realizado com auxílio de etiquetas de identificação por radiofrequência, ou RFID (radio frequency identification), que permite rastrear objetos, mesmo em locais fechados, como túneis e subsolos, e, assim, ajuda a prever melhor a entrega de produtos ao consumidor e a aumentar a eficiência do inventário.

A utilização de drones para entregar produtos leves, como alimentos e documentos também uma grande tendência logística no varejo. Engana-se quem acha que isso está longe da realidade. 

Recentemente, o Ifood iniciou os testes para iniciar as entregas através de drones, na cidade de Campinas. Essa fase ocorre logo após uma autorização recebida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para que o serviço passe a operar no Brasil.

Essa pode ser, portanto, uma oportunidade para outras lojas de varejo, inclusive para atender a clientes em regiões rurais e comunidades de difícil acesso. A B2W, aliás, já planeja investir nessa modalidade de entrega para os próximos anos.

A economia compartilhada ou colaborativa também é outra tendência geral que pode ser útil à logística no varejo com a divisão de custos, por exemplo, de transporte e armazenagem. Se alinhada ao conceito de store in store, pode viabilizar a coleta de produtos em um estabelecimento físico, sem cobrança de frete, e, assim, criar uma estratégia omnichannel.

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Conclusão

Como apresentado acima, existem diversas etapas fundamentais para a satisfação do consumidor que dependem da gestão logística. Se não houver uma atenção especial para esse processo, é grande a probabilidade de ocorrerem falhas, aumento de custos, perda de produtividade, desperdícios e problemas com as entregas nos clientes finais. 

Sendo assim, podemos dizer que a logística ajuda a estruturar melhor esses processos, tornando-os mais eficazes. Caso esse tema seja deixado de lado pelas empresas do varejo, é possível afirmar que essas empresas estão perdendo dinheiro ou deixando de ganhar.

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