Os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) são uma forma cada vez mais popular para os investidores avaliarem as empresas nas quais desejam investir. Eles também podem ajudar os investidores a evitar empresas que possam representar um risco financeiro maior devido às suas práticas.

Portanto, a análise desses critérios é considerada para ajudar a determinar melhor o desempenho financeiro futuro das empresas, especialmente com relação ao retorno e o risco. Neste artigo, será apresentado o que é, a importância, exemplos e de que forma o varejo está se adaptando de acordo com esses critérios que possuem cada vez mais relevância no mercado.

O que é?

Os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) são um conjunto de padrões para as operações de uma empresa que os investidores socialmente conscientes usam para avaliar os investimentos potenciais. 

Os critérios ambientais consideram o desempenho de uma empresa como “zeladora da natureza”. Os critérios sociais examinam como ela gerencia os relacionamentos com funcionários, fornecedores, clientes e as comunidades onde atua. A governança lida com a liderança da empresa, remuneração de executivos, auditorias, controles internos e direitos dos acionistas.

Importância

A sustentabilidade está remodelando as finanças e os negócios. Em janeiro de 2020, o CEO da BlackRock, Larry Fink, revelou sua visão atualizada de sustentabilidade como o “novo padrão de investimento” e incentivou as empresas a relatar questões ESG usando a estrutura do Sustainability Accounting Standards Board (SASB)

O maior gestor de ativos do mundo tornou-se o maior investidor sustentável também, confirmando sua crença de que os tópicos de sustentabilidade têm um efeito material na condição financeira ou no desempenho operacional de uma empresa. 

E sob o tópico de transparência, os terminais da Bloomberg já avaliam as métricas de divulgação ESG das empresas, compartilhando o desempenho mais prontamente do que muitos imaginam.

Além disso, outro ponto que corrobora a importância das práticas ESG é que de acordo com o Accenture Chemicals Global Consumer Sustainability (2019), 81% dos consumidores planejam comprar produtos mais ecológicos nos próximos cinco anos.

Contudo, não apenas os investidores e os consumidores dão atenção para o assunto, as empresas e os governos, como consequência disso, também têm papel fundamental nesse processo de mudança de mentalidade. Helena Helmersson, CEO do H&M Group, fez uma afirmação nesse sentido:

“Agora é mais importante do que nunca que as empresas e os governos mostrem liderança, mantendo seus compromissos e que as responsabilidades sejam assumidas em conjunto. Agora temos a chance de reconstruir verdadeiramente um futuro melhor e, coletivamente, precisamos garantir que as medidas de recuperação tomadas protegerão a humanidade e o planeta.”

Em razão da maior atenção para as práticas ESG no mercado, já são apresentados para os investidores opções focadas em empresas que seguem essa prática. Um exemplo disso é o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), que possui um objetivo claro:

“Apoiar os investidores na tomada de decisão de investimento e induzir as empresas a adotarem as melhores práticas de sustentabilidade, uma vez que as práticas ESG contribuem para a perenidade dos negócios.”

Com isso, é evidenciado a atenção que as pessoas têm dado ao assunto. Uma pesquisa da Accenture (Accenture COVID-19 Consumer Pulse Research) de junho de 2020, apresenta que  67% delas concordam ou concordam significativamente que as empresas irão se ‘reconstruir melhor’ investindo em soluções de longo prazo, sustentáveis e justas.

Nesse sentido, John D. Idol, CEO da Capri Holdings Limited, fez sobre uma afirmação sobre tema:

“Os princípios de governança ambiental, social e corporativa são mais relevantes do que nunca. À medida que emergimos da crise COVID-19, devemos garantir que nossa indústria não volte a um status quo que não proteja adequadamente nosso povo e o planeta. Os setores de moda e varejo devem, coletivamente, acelerar a ação climática e criar cadeias de suprimentos mais sustentáveis como parte de nossa recuperação global.”

Benefícios do ESG

Segundo um report da Accenture, Resilient Management in the age of responsible retail (Gestão resiliente na era do varejo responsável, em português), as vantagens do ESG podem ser divididas em “Errar pode custar caro” e “Fazer certo é mais barato”, conforme apresentadas as razões abaixo.

Errar pode custar caro

  • 25% dos indivíduos que experimentaram injustiça por meio de discriminação no trabalho dizem que sua experiência os desencoraja fortemente de recomendar seu empregador a outros funcionários em potencial
  • As empresas estão pagando milhões de dólares para resolver ações judiciais movidas pela EEOC relacionadas a práticas discriminatórias de contratação
  • US$ 64 bilhões é o custo anual estimado para perder e substituir os mais de 2 milhões de trabalhadores americanos que deixam seus empregos a cada ano devido à injustiça e discriminação
  • As empresas dos EUA estão deixando US$ 1,05 trilhão de dólares na mesa por não serem mais inclusivas. Essa oportunidade financeira perdida se resume a um número insuficiente de empresas priorizando a inclusão

Fazer certo é mais barato

  • Cada aumento de 1% na taxa de diversidade de gênero resultou em um aumento de aproximadamente 3% nas receitas de vendas
  • Um estudo recente de longo prazo atribuiu cerca de 25% do crescimento do PIB per capita a uma força de trabalho mais inclusiva e diversificada
  • Equipes diversificadas inovam e superam a concorrência, elas são 45% mais propensas a melhorar a participação no mercado
  • Líderes que dão a diversos funcionários igual tempo de antena e uma oportunidade de “falar”, fazem com que diversos funcionários tenham 3,5 vezes mais probabilidade de contribuir com seu pleno potencial inovador e produtividade (Fonte: Ibid).

Exemplos

Abaixo estão alguns exemplos que foram mostrados por um report da S&P Global Ratings, ESG Industry Report Card: Retail, apresentando práticas ESG de empresas varejistas e os riscos associados ao não seguimento dessas ações em outras áreas.

Amazon

A Amazon enfrenta cada vez mais uma análise minuciosa do governo sobre seus modelos de negócios, o que pode levar a regulamentações desfavoráveis ​​à sua posição competitiva. 

Os fatores que apoiam a demanda do consumidor incluem a percepção da marca, fluxos de resíduos de embalagens de produtos e a compensação, saúde e segurança de sua força de trabalho direta e indireta, incluindo em suas redes de atendimento. 

Seus complexos negócios de logística de transporte globais próprios e de origem enfrentam riscos de custos ambientais de longo prazo, principalmente por causa de regulamentações mais rígidas de emissões de gases de efeito estufa. O custo para cumprir e como a conformidade afeta as opções ideais de entrega ao cliente também são riscos de longo prazo para empresas que dependem de entrega. 

Do ponto de vista da governança, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, continua sendo uma presença significativa em seu papel como presidente do conselho e um acionista significativo.

Albertsons

Na frente ambiental, a empresa tem aumentado seu portfólio de ofertas orgânicas, saudáveis ​​e ambientalmente sustentáveis ​​com algum sucesso. Por exemplo, 100% dos ovos vendidos sob sua marca O Organics e Open Nature não têm gaiolas, e mais de 300 produtos enlatados de marcas próprias agora são embalados e rotulados em latas não revestidas com BPA (composto orgânico sintético que pode oferecer riscos à saúde), representando mais de 80% das ofertas enlatadas de marcas próprias. 

Dadas as elevadas expectativas do consumidor para esses tipos de melhorias,, esses custos são considerados necessários para permanecer competitivo no cruel espaço de mercearias dos EUA. Por fim, 64% dos funcionários da Albertsons estavam cobertos por acordos coletivos de trabalho até o ano encerrado em 23 de fevereiro de 2019. 

A empresa diz que espera que assistência médica, contribuições para pensões e custos salariais continuem sendo temas importantes para as negociações, com o término de tais acordos sem contratos, possivelmente resultando em greves que poderiam interromper as operações.

Starbucks

Segundo a S&P Global Ratings, a Starbucks possui um histórico bom de gerenciamento de fatores ESG enquanto expande sua presença de lojas físicas. A Starbucks investe significativamente no treinamento de funcionários de linha de frente e oferece atraentes benefícios de emprego em relação a outros restaurantes de serviço rápido. 

A empresa também está investindo em produtos de origem ética e práticas agrícolas sustentáveis para café e chá, que são amplamente divulgados aos clientes. Esforços como o uso de copos recicláveis e a oferta de descontos em copos reutilizáveis também melhoram a percepção da marca da empresa entre seus clientes. 

A gestão e governança da empresa são avaliadas como fortes, refletindo a capacidade amplamente consistente da administração de atingir seus objetivos financeiros e operacionais, embora sejam notadas várias mudanças para uma política financeira mais agressiva nos últimos anos.

Conclusão

O setor de varejo está respondendo às demandas do mercado com um maior enfoque nas políticas e iniciativas ESG, o objetivo é conquistar não apenas os consumidores, mas também investidores.

Muitos esforços para criar um modelo de negócios mais sustentável custam uma quantia inicial substancial, mas no longo prazo, as iniciativas ESG atraem benefícios significativos e consumidores que fornecem capital e publicidade em troca de responsabilidade corporativa.

Portanto, o varejo está cada vez mais presente em uma nova era de responsabilidade, em especial, seguindo os 3 principais pontos abordados nas práticas ESG: ambientais, sociais e de governança.

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