Novas ideias de produtos e serviços nascem a cada dia no varejo. Porém, é comum que a maior parte não alcance os resultados desejados. Como prova disso, segundo uma pesquisa realizada pela aceleradora Startup Farm, 74% das startups brasileiras fecham após cinco anos de existência e 18% delas antes mesmo de completar dois anos.

Diante disso, o investimento em uma estrutura que possa auxiliar em uma construção sólida dos produtos se torna crucial, o que enfatiza a importância da utilização de ferramentas que podem auxiliar nesse sentido.

E uma das mais úteis e comuns hoje no mercado é o MVP (Minimum Viable Product) ou Produto Mínimo Viável, que é uma técnica de desenvolvimento de novos produtos para facilitar os testes e melhorias na assertividade deles no mercado.

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O que é o MVP?

O MVP é um conjunto de testes feitos para validar o produto de um negócio, sendo considerada uma versão simplificada de um produto final. O objetivo é revelar se a ideia é realmente interessante e útil para os consumidores, ou se é apenas uma expectativa utópica. Segundo o empreendedor e autor Eric Ries, em seu livro The Lean Startup:

O MVP é aquela versão do produto que permite uma volta completa do ciclo construir-medir-aprender, com o mínimo de esforço e o menor tempo de desenvolvimento.

A ferramenta deve manter sua função de solução, tendo como objetivo entregar valor para o cliente, oferecendo o mínimo de funcionalidades possíveis. Então, é importante perceber que o MVP não é feito para dar errado ou para não gerar valor para as pessoas.

Com a ferramenta, é possível desenvolver estratégias para agir pontualmente em cada aspecto que envolva desperdício de recursos, buscando encaixar o produto no mercado. De acordo com Sulivan Santiago, Mentor da ACE e Professor de Pós-Graduação na ESPM, em São Paulo:

A ideia do MVP é que você aprenda o mais rápido possível qual o produto ideal para seu cliente. Não interessa se ele está fazendo isso de forma manual ou da mais tecnológica possível. O ponto mais importante é se ele entrega valor ou não.

Contudo, em alguns casos, o MVP pode demandar uma solução mais complexa para solucionar o problema do usuário. Portanto, não pode ser apenas funcional e rápido, é possível que demande um maior tempo para que o produto realmente gere valor para o cliente.

Por que “Mínimo Viável do Produto”?

Para entender o conceito que está por trás do nome e sua real intenção, é importante aprofundar no que cada uma das palavras quer dizer. Dessa forma, para facilitar no entendimento do contexto, abaixo estão detalhados os exatos significados de cada palavra presente na sigla.

  • Mínimo: Produtos com baixa qualidade que não geram valor
  • Mínimo Viável: Bons recursos para testar as respostas dos usuários
  • Viável: O produto desejado
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Um exemplo é uma loja que está buscando implementar um novo sistema para alertar quais filas estão grandes, como é o exemplo da rede Hirota. Um produto viável poderia ser o do exemplo citado acima, um botão que os consumidores apertassem para alertar os funcionárias da loja para que eles criem soluções para o problema das filas grandes.

Para alcançar uma viabilidade mínima, uma opção poderia ser uma placa avisando aos consumidores que eles podem falar com o colaborador mais próximo da loja sobre o problema para que esses funcionários avisem aos responsáveis.

Para ficar mais claro, um exemplo fora do varejo pode ser o caso de pessoas que têm problemas para encontrar casas e apartamentos para aluguel. Um produto viável poderia ser uma plataforma rápida que disponibilizasse mensagens, notificações, pesquisas filtradas de acordo com o perfil e histórico do usuário.

A viabilidade mínima poderia ser a criação de listas gratuitas do Google Docs, organizadas com o objetivo de mostrar as opções ofertadas em uma região específica. Com descrições de apartamentos, fotos, detalhes de contato, entre outras possibilidades.

Portanto, para realmente criar um produto que seja minimamente viável, é preciso que não seja investido recursos em áreas desnecessárias, evitando desperdícios. Dessa maneira, será possível entender o cenário atual do produto em questão e entregar algo que o mercado realmente demande.

Por que Utilizar?

Sem a criação de um MVP, podem haver diversos prejuízos de tempo, recursos e falta de informações sobre os desejos e necessidades do público-alvo. O MVP também auxilia em um entendimento dos porquês que estão por trás das questões abordadas, além da visualização do que deve ser ou não ajustado.

Essa troca de informações com o ambiente externo pode acarretar em vantagens em diversos outros pontos além dessa identificação de falhas citadas anteriormente. E isso pode ocorrer em razão do feedback recebido pelo público-alvo, o que oferece um norte a diversos outros pontos, como precificação e data de lançamento, por exemplo.

O MVP entrega 4 principais vantagens para a criação e desenvolvimento de soluções, são elas: Contato com o público-alvo, Economia de Recursos, Redução do Fator de Risco e Menor Prazo de Desenvolvimento.

É comum ainda encontrar opções e funcionalidades nas soluções que não entregam valor para o público-alvo. Muitas empresas ainda cometem esse erro, e o MVP pode ser uma solução para esse problema, tendo em vista que oferece um contato próximo com o público, contato esse que pode ser útil para determinar e avaliar quais features realmente serão disponibilizadas para os usuários.

O contato com o público-alvo têm impacto em diversos outros benefícios que a utilização do MVP entrega. O uso da ferramenta permite a redução dos riscos, tanto de implementação como riscos de falha no processo de criação. Essa redução dos riscos gera uma economia de recursos considerável, principalmente em grandes projetos.

Há sempre a busca por evitar erros no ambiente empresarial, em especial porque esses erros podem acarretar grandes prejuízos financeiros nas organizações. E ao utilizar a técnica, os empresários têm a possibilidade de rever de forma mais fácil e rápida quais investimentos têm mais probabilidade de alcançarem melhores resultados.

Com isso, há um aumento na velocidade, reduzindo o prazo de desenvolvimento das soluções. Isso acontece porque ao identificar possíveis falhas no inícios dos projetos, é possível solucioná-las de forma mais rápida e que possua menos impactos no restante do desenvolvimento.

Quais são as etapas?

O processo de criar um MVP tem a velocidade como um de seus principais benefícios. Porém, esse processo não é algo fácil e demanda a realização de algumas etapas para potencializar os resultados. Abaixo estão listadas as 5 principais fases do MVP.

1. Equipe confiável

Uma equipe que saiba o que está fazendo é crucial na utilização da ferramenta para que a empresa consiga usufruir dos benefícios que ela oferece. Profissionais de tecnologia e UX (experiência do usuário) são comuns em projetos que utilizam o MVP, eles identificam possíveis melhorias e realizam alterações, adequando a ideia ao consumidor. 

Um profissional responsável pela gestão também é crucial. Um das principais razões disso é que a economia de custos, em especial, não será alcançada se não forem feitas análises bem detalhadas para definir quais pontos são viáveis financeiramente.

2. Entender o cliente e identificar a dor

Como dito anteriormente, o MVP permite um maior contato com o cliente. E esse contato deve ser aproveitado da melhor forma possível para que o consumidor seja realmente entendido e tenha suas dores identificadas.

Bernardo Pascowitch, Fundador e CEO da Yubb, fez a seguinte afirmação sobre qual é um dos primeiros passos a se tomar na criação de um produto:

É interessante você primeiro fazer as entrevistas para validar os problemas que as pessoas têm, porque não faz sentido já desenvolver alguma coisa sem entender as dores das pessoas.

Portanto, essa etapa permitirá entender qual é a proposta de valor que será oferecida ao cliente. Essa fase responde perguntas como: O que está sendo vendido? Como isso pode mudar a vida de uma pessoa ou de uma empresa? Qual é o seu diferencial? Toda proposta surge de uma hipótese, e com uma boa proposta de valor, já é possível entender o que o MVP pode oferecer.

3. Criar um Script

A criação do Script é uma etapa muito importante porque há diferentes tipos de pontos que podem ser validados. Por exemplo, é preciso validar só uma ideia, ou também o processo, modelo de negócio, mercado, etc.? O Script vai permitir ter um foco e delimitar quantas variáveis necessitam de validação para que o produto seja posto em prática. 

Portanto, as instruções devem ser elaboradas de acordo com o projeto, se adaptando à diferentes casos, como por exemplo: questionários, entrevistas, testes presenciais e online, testes A/B, entre outros.

Um exemplo prático é quando os clientes não utilizam uma funcionalidade oferecida, isso pode significar que eles não entenderam, que aquilo não entregou valor, não viram ou alguma outra razão.

4. Colocar em prática de forma manual

A proximidade com o público é crucial no desenvolvimento com o MVP, e colocar em prática de forma manual algumas fases do processo, é crucial para que esse contato seja ainda mais próximo. Segundo Sulivan Santiago, é importante que as situações ocorram de forma “concierge”, ou seja, de forma manual para que essas vantagens sejam realmente úteis.

Essa etapa permite uma maior geração de insights, buscando entender as razões de comportamento e elos fracos na cadeia de valor para que o produto possa resolver a dor dos clientes, gerando valor para eles.

5. Fazer melhorias

O objetivo do MVP é fazer com que ele tenha uma boa aceitação pelos clientes. Contudo, mesmo que esse objetivo seja alcançado, ainda é necessário o investimento em melhorias, buscando maior eficiência e maior entrega de valor para o cliente. Bernardo Pascowitch também fala sobre muitos ainda deixarem de lado as validações de mercado:

O importante é fazer o MVP e continuar a fazer as validações para novas funcionalidades do site. Ao invés de gastar recurso, tempo, dinheiro e energia do time, o negócio pode desenvolver uma landing page, por exemplo, para testar se os usuários vão se interessar por essa nova funcionalidade.

Portanto, a implementação de uma melhoria só vem depois da mensuração dos testes na etapa de colocação em prática. Dessa forma, a solução receberá as melhorias testadas e comprovadas, garantindo uma experimentação metrificada por meio de experimentos simples.

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Conclusão

Apesar do conceito ter sido criado a partir do contexto das startups, em especial aquelas da área de tecnologia, a metodologia do MVP é aplicável em quase todo tipo de projeto no varejo, tanto tecnológico quanto aqueles com mais foco na operação manual, por exemplo.

Essa ferramenta permite entender o cenário dos mercados, além de fazer a transição mais eficiente de um produto que tenha um mínimo viável para um que tenha o viável, que é o objetivo final.

O MVP reduz “achismos” e mostra o que realmente o mercado tem a dizer, e não interpretações do que os responsáveis pelos projetos querem ouvir. Por fim, é crucial o entendimento de que a utilização da ferramenta não significa oferecer ao mercado uma solução ruim ou não terminada, mas sim algo que realmente entregue valor ao cliente.

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