A necessidade de ser ter um meio específico para facilitar as trocas comerciais é bastante antiga na história da evolução do homem e depois do comércio. No início se usavam especiarias e animais, depois, na idade média começou a ser usados os metais, como ouro, prata e bronze, no processo de troca por suas características específicas de durabilidade, beleza, divisibilidade e facilidade de serem carregados. 

Com a finalidade de oferecer mais segurança aos portadores dos metais, os bancos da época passaram a emitir uma espécie de certificado de depósito que inspirou a criação do papel moeda em cédulas como conhecemos hoje.

No entanto, dada a constante evolução do sistema financeiro mundial e com a maior democratização do dinheiro, começaram a ser usados os cheques, os cartões de crédito e débito, as transações financeiras entre contas bancárias, e agora mais recente, é possível fazer essas transações de modo online e automatizado por meio de aplicativos de celular, por exemplo.

Com a proposta de trazer mais agilidade e segurança para as transações financeiras entre os agentes da economia, o Banco Central do Brasil regulamentou em agosto de 2020 o PIX, um meio eletrônico de pagamento instantâneo. 

A seguir será mostrado mais detalhadamente sobre o que é o PIX e como vai funcionar, seus prós e contras e como o PIX afeta o varejo através de alguns dados relevantes.

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PIX, o que é?

De maneira simples, o PIX é uma forma de pagamento instantânea, onde o nome do usuário, acrescido da variável X indicando que ele será usado para diversas situações, da compra do pão a transações na bolsa. O objetivo é que a transação comercial feita através do PIX leve apenas alguns segundos para sair de uma conta/instituição financeira e cair em outra.

Além disso, diferente do que acontece hoje nas transações via TED (transferência Eletrônica disponível), DOC (Documento de ordem de Crédito), débito, crédito e boleto bancário, transações feitas através do PIX não terão restrições de horários ou dias da semana. Assim, utilizar o PIX como meio de pagamento se equipara as transações feitas com dinheiro vivo.

Como vai funcionar?

Na primeira fase que começou em outubro, os interessados em aderir essa nova funcionalidade, sinalizaram seu interesse via pré-cadastros em instituições financeiras nas quais possuem conta corrente, poupança ou conta de pagamento pré-paga, que são os requisitos do Banco Central.

Neste processo foram cadastradas as chamadas chaves PIX que são uma forma de identificação do usuário, que irá funcionar como uma espécie de endereço financeiro do usuário. 

Cada indivíduo pode cadastrar até 5 chaves PIX (para pessoas físicas), e até 20 chaves (para pessoa jurídica) por conta na qual seja titular, e essas chaves podem ser CPF ou CNPJ, email, telefone ou outra que o usuário desejar. É importante que os usuários se atentem, pois não é possível que uma mesma chave seja vinculada a duas ou mais instituições financeiras diferentes.

A partir de 16 de novembro, todos os usuários que já fizeram seus cadastros poderão começar a usar o PIX para pagar ou receber por produtos e serviços, quer entre pessoas físicas, jurídicas e até mesmo o governo, basta que informe sua chave PIX , ou disponibilize seu QR Code de identificação.

Prós e Contras do PIX

De acordo com o Banco Central, além de gerar ainda mais agilidade e segurança entre transações financeiras, as principais vantagens do PIX é que ele irá gerar mais eficiência e competitividade no mercado, baixar os custos das movimentações financeiras, incentivar a eletronização do mercado de pagamento de varejo, promover a inclusão financeira e preencher lacunas existentes nos atuais meios de pagamentos disponíveis. 

Além destas, quem paga não precisa mais carregar consigo dinheiro em espécie para realizar transações  e quem recebe tem um controle maior do dinheiro movimentado que fica disponível imediatamente.

Já no lado negativo do PIX temos que é uma novidade em todo o sistema financeiro brasileiro de modo que pode vir sofrer alguma instabilidade e também encontrar profissionais que ainda não tenham domínio da funcionalidade.

Outro ponto fraco do PIX, é que embora esteja amparado por todos os critérios de segurança digital exigidos pelo Banco Central, os usuários estão sujeitos a golpes e crimes cibernéticos, demandando da população uma maior atenção quanto a proteção de seus dados pessoais e bancários durante o uso de seus smartphones.

Quanto a democratização do dinheiro, apesar de o objetivo do Banco Central ser promover uma maior inclusão financeira, neste período de pandemia, ficou evidente que existe uma grande parcela da população brasileira que não possui conta em bancos chegando ao patamar de 30%, e destes , 60% não possuem smartphones ou acesso a internet,  de modo que o PIX pode se tornar mais um indicador das desigualdades sociais existentes no Brasil. 

Ainda assim, uma vez que esta nova funcionalidade ainda não está substituindo de vez o uso do dinheiro físico, tanto as instituições financeiras quanto o estado terão algum tempo a frente para trabalharem formas de diminuir e extinguir  essas disparidades sociais tornando o crédito e o uso do dinheiro mais acessíveis.

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Como o PIX afeta o Varejo

Em pesquisa feita em 2013 pela ABECS (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), foi identificado que os consumidores consideram o uso de meios eletrônicos de pagamento como práticos e seguros por não terem que fazer uso do dinheiro em espécie.

Os dados da ABECS para o 1º trimestre de 2020, mostraram que neste período foram feitas  2,8 bilhões de transações usando cartões de débito, 150 milhões de transações usando cartão pré-pago e 2,9 bilhões usando o cartão de crédito, sendo as duas primeiras consideradas formas de pagamento à vista.

Tais informações somadas com os mais de 33 milhões de pré-cadastros de chaves PIX, torna evidente a ampla aceitação da população para o uso de meios eletrônicos de pagamento.

Assim, a adesão ao PIX nas micro e pequenas empresas varejistas, além de gerar mais agilidade e segurança nas transações comerciais, irá promover uma maior digitalização do estabelecimento ampliando sua competitividade frente aos demais, e também promover uma economia financeira em gastos com taxas de uso das máquinas de cartão de débito, e cestas de serviços bancários.

Isso ocorre pois uma vez que o consumidor entende o débito como uma forma de pagamento à vista,  é esperado que ele substitua a função débito pela chave PIX, fazendo com que a empresa não tenha que aguardar mais do que 10 segundos para ter o dinheiro creditado em conta.

 Entretanto o Banco central fez alterações na regulamentação do PIX para que ele continue sendo gratuito para envio de pagamentos, mas passível de tarifação a partir do 31º recebimento. Isso significa que as instituições financeiras concorrerão entre si na busca por oferecer mais vantagens e atrair mais clientes fazendo com que este serviço chegue aos consumidores com um menor custo.

Dados  Relevantes

Nos tópicos abaixo será mostrado dados estatísticos que indicam que o PIX é uma tendência de mercado.

  • Em pesquisa feita em 2012 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), foi revelado que 74% das inovações que acontecem dentros das micro e pequenas empresas ocorrem na gestão de processos ou conhecimentos. Essas inovações promovem uma melhora na qualidade de vida dentro da empresa, na imagem da mesma frente aos clientes e também ampliam sua participação de mercado.
  • O uso de pagamentos por aproximação, nos quais as pessoas envolvidas não precisam ter contato físico com dinheiro ou uma com a outra, cresceu 456% no primeiro trimestre de 2020 comparado com o mesmo período de 2019, movimentando R$ 585 milhões na função débito. Tal crescimento foi causado tanto pela ampliação da disponibilidade deste mecanismo de pagamento quanto pela mudança de comportamento do consumidor e também das empresas frente ao enfrentamento do COVID-19. 
  • Considerando ramos de atividade, o comércio varejista e o varejo alimentícios juntos equivalem a 44,3% de todas as transações feitas na função débito no Brasil, movimentando aproximadamente R$232,5 milhões em 2019. 
  • Dados de 2019 apontam que modelos de pagamentos instantâneos semelhantes ao PIX já vêm sendo implementados em países como Índia, Japão Estados Unidos dentre outros desde 2011. Destes o que mais se destaca é o modelo indiano no qual não é preciso que a pessoa tenha conta em banco para fazer movimentações, basta informar o número de telefone. 

Tais dados apontam para um cenário em que aderir evoluções financeiras como o PIX é sinônimos de digitalização, inovação, agilidade, competitividade e segurança. Além disso, aponta também para um avanço global nos meios de pagamentos que tendem a ser cada vez mais demandados pelos consumidores que estão consumindo a nível mundial.

Diante disso, as empresas que optarem no momento por não aderirem ao PIX ou outros meios de pagamento mais modernos, estarão desatualizadas e por isso estarão com menor diferencial de mercado frente aos concorrentes. E em um futuro próximo serão pressionadas pelo sistema comercial a se atualizar para terem condições de se manter no mercado. 

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Conclusão

A forma como as pessoas formalizam suas transações comerciais foram evoluindo constantemente ao longo do tempo, de animais e especiarias para o papel moeda, depois para os cartões e agora para os meios de pagamento instantâneos, no Brasil, o PIX.

Tal ferramenta se trata de uma inovação no sistema financeiro que afetará todos os membros da cadeia produtiva. Para quem paga maior praticidade e segurança; para quem recebe, além da segurança tem menor custo, mais agilidade e maior competitividade.

Como tudo que existe no universo, o PIX também tem seu lado positivo e negativo. Mas apesar disso, os dados apontam para uma tendência de permanência dos meios instantâneos de pagamentos e até para uma maior preferência por este ao invés do velho dinheiro em mãos.

Sendo assim, como centro de estudos deixamos nossa breve contribuição no sentido de apresentar o PIX e seu funcionamento, como também a forma em que este pode afetar o mercado varejista que é nosso foco. Como dito antes, por se tratar de uma novidade certamente se levantarão outros pontos aqui não abordados como foco de discussão futura, nos quais teremos interesse em aprofundar.

1 COMENTÁRIO

  1. Obrigada Ello Varejo pelo espaço e pela parceria com o CEV. Temos o privilégio de poder observar e viver esse momento de transformação digital do sistema financeiro do Brasil. Certamente com essa novidade virão muitos desafios e possibilidades de exploração. Estou feliz e ansiosa por este futuro tão atual.

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