É comum ver e ouvir americanos falando muito sobre a bravura de seus soldados e como eles serviram ao país com honra, principalmente em filmes e seriados. Mas por que essa admiração é tão forte nos EUA e não é tão comum em outros países?

Um dos motivos surgiu porque George W. Bush ordenou ataque ao Iraque em 2003, com o objetivo de livrar a região do arsenal de Saddam Hussein de “armas de destruição em massa”, que nunca apareceram.

Então, após a descoberta de que não existiam tais armas, a imprensa e o povo começou a questionar o real motivo desses ataques que estavam custando caro aos EUA, principalmente em razão de que muito dinheiro estava sendo investido, muitas mortes, guerra política, etc.

Contudo, os reais motivos dessas ações eram acabar com a parceria que havia com o Iraque e também salvaguardar uma grande reserva de petróleo mundial. Com isso, a estratégia que o Governo Americano teve foi simples: tentar tirar o foco do real motivo da guerra. 

E como não podiam censurar diretamente, eles buscaram formas de permitir a ida de jornalistas para acompanharem os soldados na guerra, buscando protegê-los melhor maneira possível.

Por que adotar essa estratégia?

E o objetivo disso surgiu em razão de que o centro da atenção da imprensa começaria a estar na forma como os soldados se preparavam, a bravura e a coragem deles, além de mostrar a preparação para os combates. Então, esses conteúdos começaram a fazer parte das principais matérias jornalísticas do país.

Isso foi usado, porque foi percebido que as pessoas tendem a dar foco em algo que elas estão vivendo no momento, mesmo que seja uma abordagem diferente de um mesmo assunto. Como prova disso, após essa estratégia, 93% das matérias jornalísticas passaram a ser da perspectiva dos soldados, e não mais indicando os reais motivos da guerra, que passaram a indicar apenas 2%.

Depois desses acontecimentos, o sociólogo Andrea Lindner, comentou sobre o resultado da estratégia: “Não apenas os canais de imprensa incorporados representaram a maioria da imprensa disponível total, como dominou a atenção pública.”

Assim, como a maior parte das matérias não tratavam dos reais motivos da guerra, mas sim dos soldados e suas ações, a mensagem que a mídia passou foi a seguinte: é preciso que você foque em como a guerra está sendo conduzida, e não em suas razões.

Foque na constância das ações

A mudança de foco sobre algo pode mudar totalmente a interpretação das pessoas sobre determinado assunto. Porém, é preciso que isso seja duradouro, como foi o caso citado acima, e não só em uma ação de marketing a cada seis meses ou um ano, por exemplo. 

E isso é comum entre as empresas, onde adotam estratégias para passar visões diferentes da realidade, como demonstrar esporádico apoio ao meio ambiente, por exemplo. Dessa forma, elas procuram apresentar uma ideia que não faz parte do seu cotidiano, ou seja, apresentam para o público ações que não compactuam com a forma com que essas empresas realmente pensam. 

E essa é uma estratégia que, além de ser antiética, tem pouca relevância, porque não muda onde a atenção do público está, tendo em vista que no outro dia essas empresas já voltam ao normal, comprovando onde realmente estão suas preocupações.

Então, esse tipo de ação perde o sentido, porque além de tempo e dinheiro investido em algo que não vai engajar o público, pode fazer com que esse público se sinta enganado e perca sua confiança com a empresa.

Porém, se esses tipos de estratégias realmente fizerem parte do foco da organização, devem estar continuamente ligadas às suas ações e comportamentos no dia a dia, mesmo que sejam nos pequenos detalhes.

Com isso, será possível fazer com que o público entenda que aquilo realmente faz parte da vida da organização, e não acontece apenas uma vez no ano, como uma ação de marketing. Por fim, como certa vez disse o escritor americano Robert Cialdini: “Questões que ganham atenção também ganham suposta importância.”

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