por-que-a-Shein-tem-preços-tao-baixos

A Shein, varejista chinesa do segmento de fast fashion, ganhou muita relevância nos últimos anos, inclusive no Brasil, sendo o aplicativo de moda mais baixado no ano de 2021 no país, de acordo com dados divulgados pelo banco Goldman Sachs. 

A empresa é conhecida por praticar preços extremamente competitivos e pela rapidez no lançamento de novos produtos. Porém, passou a ser questionada por esses pontos, sendo, inclusive, acusada de práticas de exploração no ambiente de trabalho

O que antes era uma suposição, se transformou em um fato. O Channel 4, canal britânico de televisão, enviou um funcionário disfarçado para filmar dentro de duas fábricas responsáveis por fornecer roupas para a gigante do fast fashion, em Guangzhou, e descobriu detalhes sobre as práticas exploratórias da empresa. Em resumo:

  • Os colaboradores da fábrica trabalham em média 18 horas por dia e recebem apenas um dia de folga por mês
  • O pagamento do primeiro mês é retido
  • O salário dos colaboradores da fábrica é cerca R$ 0,20 por peça produzida
  • Em caso de erros na produção, os colaboradores são penalizado e perdem o direito de receberem +60% de seu salário diário

Os trabalhadores de ambas as fábricas trabalhavam até 18 horas por dia e recebiam apenas um dia de folga por mês. Em caso de erro na produção de qualquer item, os colaboradores perdiam direito de +60% do salário diário.

Em uma fábrica, foi constatado que os trabalhadores recebem um salário-base de 4.000 yuans por mês (cerca de R$ 2.856) para produzir 500 peças de roupa por dia, sendo que o pagamento do primeiro mês é retido pela companhia. Na outra fábrica, os trabalhadores recebiam o equivalente a 20 centavos por peça produzida.

A emissora flagrou mulheres lavando os cabelos durante os intervalos do almoço, pois não tinham tempo hábil para realizar essas tarefas em casa. As 6 horas no lar (sem considerar o deslocamento para o trabalho) não possibilita que os colaboradores cuidem, sequer, de sua própria saúde e higiene. 

Além da exploração da mão de obra, a empresa também é apontada pelo canal de televisão por utilizar altos níveis de produtos químicos e tóxicos em suas roupas, fazer a cópia de itens de designers independentes e por utilizar de forma incorreta os dados de clientes.

As políticas de trabalho da empresa violam as leis trabalhistas da China, podendo ser considerado um prática análoga à escravidão

De forma sucinta, a Shein emitiu um comunicado em que afirma o compromisso de oferecer e obedecer às condições dignas de trabalho aos seus colaboradores. Porém, não entrou em detalhes de qual será o plano para reverter a gravíssima situação. 

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