É possível que uma estratégia seja definida de várias maneiras diferentes. Em termos gerais, uma estratégia pode ser descrita como um plano ou método escolhido para atingir o futuro desejado, como solução de problemas ou cumprimento de metas. 

Pode ser interpretado como a forma pela qual uma organização escolhe as atividades nas quais quer se envolver. Sendo também sobre onde e como a direção da empresa decide engajar as atividades.

Diante desse contexto, podem ser destacados dois dos principais nomes das teorias estratégicas do mundo: Porter e Mintzberg. Porém, cada um apresenta abordagens diferentes e que tiveram distintos pesos de importância ao longo do tempo. 

Quem são eles?

Michael Porter é um professor da Harvard Business School, com interesse nas áreas de Administração e Economia. É autor de diversos livros sobre estratégias de competitividade, um dos mais famosos é o Estratégia Competitiva, sendo base de estudos em grande parte das escolas de negócios ao redor do mundo.

Porter foi consultor de estratégia em diversas empresas ao redor do mundo e ainda possui um papel ativo na política econômica global. Seu trabalho resultou em dois principais conceitos que são usados frequentemente no mundos dos negócios:

  1. Cinco forças competitivas:
    1. Rivalidade entre os concorrentes
    2. Poder de barganha dos fornecedores
    3. Ameaça de produtos substitutos
    4. Poder de barganha de clientes
    5. Ameaça de novos entrantes
  2. Três fontes genéricas de vantagem competitiva:
    1. Diferenciação
    2. Baixo custo
    3. Focalização em mercado específico

Henry Mintzberg, é um renomado acadêmico e autor de diversos livros na área de administração. Ele é Ph.D. pela MIT Sloan School of Management e atualmente é professor na Universidade McGill, no Quebec, Canadá, onde leciona desde 1968, após ter concluído seu Mestrado em Gerência no MIT.

Em seu livro mais conhecido, A Ascensão e a queda do Planejamento Estratégico, Mintzberg critica algumas das práticas de hoje do planejamento estratégico. Essa leitura é considerada essencial para aqueles que buscam fazer parte do processo de tomadas de decisões dentro das organizações.

Como um de seus mais conhecidos conceitos, é possível citar os 5Ps da estratégia, o autor apresenta 5 formas de ver e aplicar a estratégia, sendo cada uma especificamente voltada para um cenário ou situação vivida pelas organizações. Os 5 Ps são:

  1. Estratégia como plano
  2. Estratégia como pretexto
  3. Estratégia como padrão
  4. Estratégia como posicionamento
  5. Estratégia como perspectiva

Como eles enxergavam estratégia?

Karl Moore, autor e professor na universidade de McGill, escreveu um artigo para a Forbes detalhando os dois pontos de vista. Segundo ele, é possível contrastar as duas visões: Porter adotando uma abordagem estratégica mais deliberada, enquanto a de Mintzberg enfatiza a estratégia emergente. 

Neste vídeo de um minuto, Porter apresenta o que é estratégia na sua visão, e suas palavras dão ênfase ao processo de planejamento. Já Mintzberg apresenta um outro estilo neste curto vídeo, desta vez, além de uma abordagem diferente, também faz um ataque direto à Porter. 

Porter e sua abordagem mais deliberada

Michael Porter sugere que nem todas as decisões tomadas pela empresa são estratégicas. Segundo ele, a estratégia pode ser definida como as decisões tomadas pela empresa envolvendo o desempenho consciente de uma atividade de forma diferente em relação aos concorrentes. 

Além disso, ele apresenta que a diferença dessa atividade deve resultar em méritos sustentáveis. De acordo com Porter, se um negócio realiza algo diferente dos concorrentes mas não é sustentável, então essa realização não pode ser chamada de estratégia, porque apesar de ser diferente, é inviável para o negócio. 

Um exemplo do varejo que pode facilitar o entendimento, como é um caso de um varejista do interior de uma cidade com baixo IDH que decide realizar a integração entre os canais de venda online e offline, investindo um alto valor nessa atividade.

Contudo, ela não entrega o retorno desejado, o que torna a atividade inviável para o negócio. Na visão de Porter, a realização dessa tarefa não pode ser vista como uma estratégia da empresa, tendo em vista que não é sustentável.

Porém, apesar do autor enxergar a sustentabilidade nesse contexto como a realização de atividades que são muito difíceis de serem imitadas pelos concorrentes no mercado. Essas atividades necessariamente precisam ser sustentáveis.

Moore apresentou o que pensa em seu artigo, falando que essa abordagem de Porter funcionou bem em sua época, nos anos 80 e parte dos anos 90. Segundo o autor, “tempos maravilhosos”, quando o passado era muito útil para prever o futuro. No entanto, a natureza do mundo hoje não se presta mais a esse tipo de estratégia.

Mintzberg e sua abordagem da estratégia emergente

Por outro lado, Mintzberg pensa estratégia como um padrão que é feito de correntes de decisões. Ele criou o conceito de estratégia emergente, que é a visão de que a estratégia emerge com o tempo, à medida que as intenções colidem e demandam rápidas mudanças.

A estratégia emergente é um conjunto de ações, ou comportamentos, consistentes ao longo do tempo. Pode ser interpretado como um “padrão realizado” que não foi expressamente pretendido no planejamento original da estratégia. 

O autor Duncan J. Watts, destaca um exemplo da rede de lojas de roupas Zara em seu livro “Tudo é óbvio”. A empresa utiliza a estratégia emergente ao fazer um levantamento que identifica o estilo de roupa que as pessoas estão procurando. Dessa forma, são criadas uma variedade de roupas com base nessa preferência dos consumidores previamente identificada e então as peças são enviadas para as lojas. 

Diante dos resultados dessas peças, a varejista de moda busca reagir de forma rápida, aumentando a produção daqueles tipos de roupa que possuem maior demanda, da mesma forma reduzem ou encerram a fabricação daquelas com índice de vendas abaixo do esperado.

Esse tipo de estratégia implica que uma organização está aprendendo o que funciona na prática, ou seja, está se adaptando às necessidades de mercado. Por esse motivo a visão de Mintzberg tem sido mais preferível nos dias de hoje, já que as mudanças estão ocorrendo em uma velocidade nunca vista antes.

Quais os impactos de cada uma nos dias de hoje

As ideias de Porter e Mintzberg ainda são relevantes, a maior parte das escolas de negócios do mundo abordam seus conceitos em salas de aula. Além disso, CEOs corporativos ainda citam seus conceitos como parte de seu pensamento de planejamento estratégico.

Contudo, ambas ideias e conceitos estão perdendo força com o passar dos anos. O mundo de hoje faz com haja novos pensamentos sobre estratégia. Porém, a estratégia emergente de Mintzberg aparenta ter mais força nos dias atuais, já que reflete o fato de que os planos irão falhar em razão das rápidas mudanças que ocorrem no mundo corporativo.

Porém, isso não quer dizer que o planejamento não seja útil, a mudança ocorreu não na forma de pensar a busca por resultados de longo prazo, mas sim ligado ao desaparecimento de planos de 5 anos. Essa necessidade surgiu já que a maioria das indústrias hoje são consideradas emergentes e necessitam de adaptações muitas vezes ao longo do tempo.

As empresas na maioria das indústrias hoje buscam mais agilidade e flexibilidade estratégica. No varejo isso não é diferente, principalmente com a mudança rápida do comportamento do consumidor.

Essa mudança ainda se mostrou mais forte e com mais velocidade no ano de 2020, tendo em vista que o coronavírus impulsionou principalmente um crescimento forte do e-commerce, o que novamente aponta a força dessa constante transformação necessária no cenário varejista.

As incertezas fazem com que as análises se tornam mais complexas e os limites fiquem mais fluidos. A cadeia de valor agora é compartilhada através das fronteiras da empresa e, às vezes, essa divisão em comum pode ocorrer até com os concorrentes.

Isso significa que as estratégias e a visão de Porter é ultrapassada? Não necessariamente. Sua visão de estratégia deliberada buscando fazer previsões para o futuro ainda é importante em muitos setores, inclusive aqueles com rápidas mudanças, como é o exemplo do varejo.

Apesar da necessidade das mudanças e adaptações nessa estratégia pré-definida, a visão de Porter ainda tem seu valor e pode ser um ótimo direcionamento para quais decisões as empresas devem tomar diante dos novos acontecimentos que ocorrem nos mercados.

Conclusão

Em suma, o conceito de desenvolvimento de estratégia de Porter concentra-se na diferenciação e exclusividade de estratégias, pensando na previsão de acontecimentos que podem ocorrer no futuro. Já Mintzberg pensa em torno do desenvolvimento de estratégia operacional, onde apenas as estratégias existentes são tornadas eficientes, sem um foco na previsão do longo prazo.

Diante desse contexto, é possível perceber que ambas visões estratégicas, apesar de terem sido concebidas em um mundo totalmente diferente do que é atualmente, ainda possuem relevância, mesmo que em partes.

Portanto, por que não utilizar o melhor das duas visões e identificar como buscar os melhores resultados dentro de cada contexto que possui suas próprias especificidades. 
O varejo, por exemplo, tem passado por uma transformação digital. Porém, nem todas as áreas do setor mudaram por completo e essa visão de previsão do longo prazo pode auxiliar as tomadas de decisão dos varejistas, auxiliando na escolha de quais são os melhores caminhos a seguir.

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