A evolução tecnológica, acelerada ainda mais nos últimos anos, culminou em uma transformação em diversos mercados, e no varejo não é diferente. Cada vez mais as empresas do segmento estão adotando essas inovações em diversas frentes do negócio para se manterem competitivas no mercado. 

Por esse motivo, aumentou significativamente a demanda por soluções nesse sentido. Em alguns casos é inviável buscar o desenvolvimento interno dessas tecnologias e, por conta disso, surgiu a necessidade de buscar empresas terceiras focadas em atender essa necessidade.

A partir desse ponto começaram a aparecer as Retail Techs, empresas de tecnologia focadas em atender as demandas do segmento varejistas. Neste artigo, serão abordadas as características dessas empresas, bem como as categorias e os objetivos de cada uma delas.

O que são as Retail Techs?

Assim como falado acima, Retail Rech é a denominação que vem sendo utilizada para segmentar as startups que oferecem soluções tecnológicas voltadas para o mercado de varejo e consumo. 

Os principais pontos que as Retail Techs buscam atingir são o aumento de eficiência e produtividade nos negócios, melhora da experiência de compra, apoio ao pequeno e médio varejista e inovação em soluções. 

Para isso, elas atuam em diversas frentes. Elas podem usar dados para personalizar ofertas, unificar os canais de venda, refinar processos com dados minerados em grande volume e melhorar as formas de pagamento, garantindo mais segurança ao processo e facilitando as cobranças. 

Categorias das Retail Techs

De acordo com o Retail Tech Mining Report 2019, existem mapeadas nove categorias de startups que atendem o segmento de varejo e consumo, abrangendo a operação do negócio de ponta a ponta. São elas:

Ambientes virtuais

As Retail Techs dessa categoria são focadas em oferecer soluções em realidade aumentada e virtual. O foco principal delas é o desenvolvimento de interfaces que auxiliam empresas a melhorar tanto o atendimento quanto o relacionamento com o consumidor.

As tecnologias desenvolvidas por startups dessa área atuam em pontos de venda físicos, auxiliando lojas tradicionais a se reinventarem ao propiciar layouts de lojas e displays promocionais mais interativos.

A Wftech, por exemplo, é uma empresa que oferece soluções nesse sentido. A empresa já atendeu clientes como Disney, New Balance, Track & Field, Riachuelo, Asus e outras gigantes do mercado.

Sustentabilidade

Nessa categoria se encontram as empresas de inovação que propõem o consumo consciente e/ou o desenvolvimento de programas de sustentabilidade para o varejo. Nos últimos anos surgiram diversas empresas neste segmento, devido à mudança de comportamento do consumidor.

Um estudo realizado pela First Insight, aponta que a maioria dos consumidores esperam que as marcas ajam com mais consciência ambiental em suas produções. O que pode ser positivo para empresas, como a Natura Cosméticos, que hoje é reconhecida como a 15° empresa mais sustentável do mundo. 

E-commerce

As startups dessa categoria se dispõem a focar em cinco pontos distintos, resolvendo dores diferentes em cada foco de operação, são eles: mobile commerce, plataforma white label, marketplace, social commerce e mídias.

Como abordado em uma matéria da Forbes, o e-commerce se torna cada vez mais a menina dos olhos das grandes varejistas no Brasil. Apesar da instabilidade econômica no Brasil, isso é devido ao e-commerce ter crescido 22,7% em 2019 no país, faturando R$ 75,1 bilhões, em relação a 2018, segundo o relatório NeoTrust 2ª edição.

Essas startups se tornaram ainda mais relevantes após o surto do covid 19. Nesse período de crise, 61% dos consumidores que compraram online durante a quarentena aumentaram o volume de compras nesse canal devido ao isolamento social, de acordo com pesquisa da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).

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Engajamento do Consumidor

As Retail Techs dessa categoria visam propor soluções que estão diretamente ligadas a incentivos e táticas operacionais de engajamento para promoção de marcas e consequentemente das vendas. O core dessas startups, geralmente, são os programas de fidelidade, marketing ou CRM.

Os programas de fidelidade são incentivos para engajar clientes por sua fidelidade e recorrência de compras. Já as soluções de marketing e CRM são aplicações que auxiliam na divulgação, construção de marca e ativação dos clientes, além de oferecer soluções para captura de informações e feedbacks de clientes e análise de dados.

O mercado de fidelização continua crescendo no Brasil. Dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF) mostram que ao fim do segundo trimestre de 2019, o número de cadastros nos programas em todo o Brasil chegou a 132 milhões. O crescimento foi de 9,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. 

Operações

Nessa categoria, as startups trabalham em melhorias de processos operacionais do varejo, entregando tecnologia para maior eficiência nas rotinas das lojas. Talvez seja a categoria com mais soluções distintas, indo desde ERP até a integração de canais físicos com canais digitais, também conhecido como omnichannel. 

Um bom exemplo de omnichannel é o implementado pela Centauro, tendo como uma das estratégias o oferecimento da troca de produtos nas lojas físicas. Além disso, eles sempre oferecem um cupom de 10% de desconto para o cliente que vai até a loja retirar o pedido feito pelo site.

Outra solução de suma importante para a gestão eficiente do varejo são os softwares de gerenciamento de loja. Através deles é possível ter uma visão holística do negócio, bem como fazer a gestão de estoques e extrair números para embasar decisões.

Pagamentos

Na categoria de pagamentos, as Retail Techs apresentam soluções relacionadas à facilidade nas transações, moedas digitais (criptomoedas) e redução do ponto de contato no fechamento das vendas.

As startups desta categoria empregam tecnologias que ajudam a gerenciar e automatizar pagamentos para consumidores, propiciando facilidades no pagamento e gerando uma experiência com menos atritos. Ao adotar uma solução nesse sentido, é provável que haja redução de filas nos estabelecimentos, o que gera maior conveniência ao cliente.

Um dos maiores cases do desenvolvimento dos meios de pagamento é loja Amazon Go, um supermercado da Amazon. No estabelecimento, o cliente entra, pega o produto na prateleira e vai embora. A conta é enviada automaticamente para a conta do cartão de crédito cadastrado anteriormente pelo consumidor.

Logística

As Retail Techs voltadas para resolver problemas logísticos, que, sem dúvidas, é um dos grandes problemas enfrentados pelos varejistas, desenvolvem soluções como clique e retire, logística reversa e entrega rápida.

Os objetivos das startups dessa categoria é administrar e controlar o trâmite das compras e armazenamento de insumos e recursos com eficiência, sempre dentro dos padrões de qualidade que os clientes exigem.

O Pão de Açúcar, por exemplo, adquiriu a startup James Delivery no final do ano de 2018. O principal objetivo da aquisição é acelerar o processo de transformação digital da companhia, e atender os novos comportamentos de compra dos clientes, que estão cada vez mais digitais.

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Internet das Coisas

Internet das Coisas, ou IoT, é um conceito que se refere à interconexão digital de objetos cotidianos com a internet, conexão dos objetos mais do que das pessoas. Em outras palavras, a internet das coisas nada mais é que uma rede de objetos físicos capaz de reunir e de transmitir dados.

As Retail Techs presentes no report que atuam nesse sentido oferecem soluções como beacons para analytics e marketing, corredor e display interativo, music branding, wi-fi para clientes, entre outros. Tudo isso com o mesmo objetivo: gerar conveniência no momento da compra.

Um estudo mundial feito em 2017, intitulado de Retail Vision Study, apontou que até o ano de 2021, 70% dos varejistas estarão dispostos a investir em tecnologias de IoT em suas lojas. Esse número mostra a força dessa tecnologia nos próximos anos, e traz a certeza da presença delas em grande parte dos estabelecimentos.

Inteligência Artificial

As Retail Techs dessa categoria, em sua grande maioria, oferecem soluções voltadas para integração de mídias e canais, recomendação, personalização, shopbot e chatbot, e estão cada vez mais presentes nas empresas do segmento varejista. 

O principal objetivo dessas startups é gerar maior agilidade e eficiência para a operação, identificação de tendências, diferenciação, entre outros. Tudo isso focado em gerar uma mais positiva para os clientes.

Para surfar nessa onda da Inteligência Artificial, a Magazine Luiza criou uma assistente virtual, que faz muito sucesso nas mídias da empresa e nas redes sociais, por conta da sua interação com clientes que se torna cada vez mais humana.

Panorama Global das Retail Techs

Segundo o monitoramento da Venture Scanner, atualmente, essas startups se dividem em mais de 21 categorias dentro de 64 países, e contam com mais de 1.906 empresas existentes em todo o mundo.

O volume de investimentos de capital de risco em startups do setor de tecnologia aplicada ao varejo tem apresentado crescimento consistente desde 2012, com aceleração intensa no período de 2013 a 2015.

No ano de 2013 o investimento nas Retail Techs foi de U$ 3,39 bilhões. Até o ano de 2018, o valor investido em startups desse mercado passaram U$ 14,82 bilhões, representando um crescimento de mais de 337%, e comprovando o grande crescimento do setor. No ano de 2019 o valor investido passou a U$ 22 bilhões, representando um crescimento exponencial. 

De acordo com a Venture Scanner, o financiamento do primeiro trimestre de 2020 fechou em US$ 5,6 bilhões, o que representa uma queda de 21% em relação ao primeiro trimestre de 2019. O grande responsável por essa queda foi a crise do covid-19, que afetou o mundo inteiro. 

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Panorama Nacional das Retail Techs

De acordo com o relatório “RetailTech Mining” de 2019, desenvolvido pela OasisLab e Distrito, o número de Retail Techs no Brasil teve 40% de crescimento em um ano, e  passou de 194 para 269 o número de empresas responsáveis pela transformação digital no varejo.

Mais da metade delas se concentra na Região Sudeste (principalmente em São Paulo, com 50%), com 67,1% das empresas, seguida pela Região Sul, com 25,6%, e Nordeste, com 5%. Outro ponto destacado é que 88% dos sócios das empresas são homens.

De acordo com o relatório, existem 269 startups no Brasil focadas no varejo, sendo 72 delas focadas em operações, 53 em engajamento do consumidor, 39 em e-commerce, 33 em IoT, 26 em pagamentos, 19 em logística, 13 em inteligência artificial, 8 em ambientes virtuais e 6 em sustentabilidade.

Conclusão

O processo de transformação digital e utilização de novas tecnologias vem evoluindo fortemente na grande maioria dos segmentos e também no varejo. Nos últimos anos as empresas do setor buscam cada vez mais adotar essas tecnologias como forma de se manterem competitivas no mercado e de gerar vantagem competitiva frente à concorrência.

Porém, fazer a transformação de dentro da empresa não é fácil. Por esse motivo, muitas empresas optam por terceirizar o serviço, e buscam contratar startups de tecnologia focadas no varejo, pois elas possuem os atributos necessários para contribuir com a evolução digital. Essa transformação se mostrou ainda mais relevante nos últimos anos, e isso acaba culminando no crescimento das Retail Techs em todo o mundo.

A tendência é que a grande maioria das empresas do segmento passem por essa transformação nos próximos anos, tornando possível afirmar que o mercado das Retail Techs só tende a crescer nesse período.

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